Finanças

Serviço expresso para o cliente que tem pressa

Novatas e empresas tradicionais, como DHL e Correios, investem nas entregas ultrarrápidas. Mercado deve movimentar US$ 6,3 bi em 2026

Agência O Globo - 24/03/2026
Serviço expresso para o cliente que tem pressa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A expansão acelerada do comércio eletrônico e dos aplicativos de pedidos sob demanda aumentou fortemente a concorrência no setor de entregas rápidas — aquelas que, em geral, chegam em até uma hora ou dois dias, dependendo da natureza do produto ou dos locais envolvidos.

Dados da Mordor Intelligence indicam que esse mercado no Brasil, que engloba documentos, pequenos pacotes e serviços expressos, vai chegar a US$ 6,13 bilhões em 2026. No ano passado, foram US$ 5,8 bilhões.

Plataformas nativas digitais, como 99 e Lalamove, e empresas tradicionais do setor, como DHL Express e , estão investindo em novas soluções, mais infraestrutura logística e ampliação de atuação geográfica.

A 99 reestruturou, no ano passado, a sua área de logística como uma unidade de negócios dedicada à última milha. Em 2026, a empresa vai investir cerca de R$ 200 milhões para ampliar os serviços e soluções de fortalecimento para diferentes tipos de entregas.

O modelo da 99Entrega, segundo Igor Soares, diretor da unidade de negócios de logística, é baseado em plataforma, conectando empresas, consumidores e entregadores parceiros. Há ainda parcerias com transportadoras. Em 2025, a empresa fez mais de cinco milhões de entregas corporativas. A meta é atingir 60 milhões até o final de 2026,

— Operamos principalmente com entregas na mesma hora ou na próxima hora, o que exige uma operação bastante ágil — destaca Soares.

Fundada em , a Lalamove vem investindo em várias frentes, entre elas na personalização da plataforma e iniciativas de relacionamento com motoristas parceiros. Em 2026, o foco está nas soluções inovadoras especialmente para pequenas e médias empresas. A ideia é ampliar a base de clientes corporativos.

— O padrão de consumo via delivery trouxe oportunidades para novos entrantes e isso potencializou a concorrência e diferenciais competitivos — diz Alexandre Boschi, gerente sênior da EY e especialista em supply chain, logística e manufatura.

pequenas empresas

Gigante tradicional da logística, a DHL Express planeja investir R$ 118 milhões no Brasil nos próximos anos. Entre as iniciativas estão a ampliação da capacidade do centro de processamento do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), o fortalecimento de sua rede aérea e 75 novas lojas e pontos de atendimento, voltados para micro e pequenas empresas.

Segundo a vice-presidente comercial, Patrícia Starling, a DHL Express vem crescendo principalmente em segmentos que demandam logística especializada e de alta confiabilidade.

— No setor de saúde, por exemplo, o Brasil é considerado um mercado prioritário na América Latina — afirma Starling.

Os Correios, que já lideraram o mercado de encomendas expressas e fecharam 2025 com cerca de 22% de participação, tiveram aprovado em novembro passado um plano de reestruturação para sair de grave crise financeira. A empresa prevê diversas ações para diminuir o déficit em 2026 e voltar a lucrar em 2027. A transição “phygital” (física + digital), que busca reduzir o tempo médio de entrega, é uma delas.

No final de 2025, foram concluídos 52 sistemas de triagem, em 17 estados, com investimento de R$ 109,8 milhões. A companhia projeta incremento de 60% na capacidade produtiva de processamento de encomendas.