Finanças

Mastercard assume prejuízo milionário após quebra do Banco Master e tenta reaver recursos

Bandeira cobriu parte dos pagamentos do Will Bank a comerciantes e busca ressarcimento enquanto disputa sobre responsabilidades avança no setor de cartões

Agência O Globo - 24/03/2026
Mastercard assume prejuízo milionário após quebra do Banco Master e tenta reaver recursos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Mastercard teve de arcar com uma fatura de milhões de dólares após a quebra do , que obrigou a cobrir pagamentos a comerciantes referentes a transações realizadas por clientes da fintech do banco.

À espera do resgate:

Entenda:

A Mastercard foi envolvida pelo caso do Banco Master por ser a bandeira dos cartões emitidos pelo Will Bank, a fintech do banco, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. A Mastercard agora busca o ressarcimento desses valores junto ao liquidante indicado pelo , de acordo com as fontes, que pediram para não serem identificados porque não foram autorizados a falar sobre o tema publicamente.

Os detentores de cartões do Will Bank tinham valores de até R$ 5 bilhões a pagar quando a fintech quebrou, de acordo com as pessoas. A Mastercard acabou pagando cerca de metade disso, ou o montante que vencia nos 30 primeiros dias após a liquidação do Will Bank, segunda duas das pessoas.

A Mastercard já antecipou o pagamento dos valores previstos em suas obrigações regulatórias, a maior parte com recursos próprios, e agora aguarda a conclusão dos repasses devidos pelo liquidante, disse a empresa em comunicado, sem tratar das demais informações. Um representante do Banco Central, que indicou o liquidante do Will Bank, não retornou de imediato a pedidos de comentário.

Veja também:

Para ajudar a reduzir os custos, a Mastercard pode recorrer a ativos que a fintech ofereceu como garantia, como ações do Banco de Brasília e da Westwing, duas empresas com relações com o Banco Master.

Algumas das ações que a Mastercard recebeu já foram vendidas, segundo uma pessoa familiarizada com o tema. A Mastercard ficou com cerca de 6,9% do capital do banco, o que enfrentou questionamentos ao seu capital devido aos negócios que fizeram com o Master.

O Will Bank foi comprado pelo Banco Master em 2024, e tinha um negócio de cartões de crédito voltados para brasileiros de baixa renda. A fintech foi mantida em funcionamento quando o BC liquidou o Master, mas também acabou liquidada dois meses depois.

Nos meses que antecederam a liquidação, a Mastercard começou a reduzir os limites de atividade da fintech em sua rede, e acabou bloqueando o Will Bank em janeiro devido à falta de pagamento de garantias, de acordo com uma das pessoas familiarizadas. A fintech foi liquidada no dia seguinte.

Desde então, as adquirentes brasileiras — empresas de maquininhas de cartão — argumentaram que um Mastercard deveria ser responsável por pagamentos para além dos 30 primeiros dias, de acordo com algumas pessoas familiarizadas.

Uma nova regra do BC torna mais claro as entidades responsáveis ​​por garantias que as redes de cartões oferecidas em caso de calote por uma instituição. Mas os executivos da Mastercard afirmaram que a empresa ainda não deveria estar sujeita a nova regulação porque as empresas têm até maio para adotá-la, de acordo com uma das pessoas familiarizadas com o tema.