Finanças

Delivery no Brasil: por que é tão difícil para empresas estrangeiras disputarem mercado no Brasil?

País é o quinto maior mercado de delivery de comida no mundo. Contratos de exclusividade com restaurantes é alvo de crítica do setor e de processo no Cade

Agência O Globo - 24/03/2026
Delivery no Brasil: por que é tão difícil para empresas estrangeiras disputarem mercado no Brasil?
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O mercado de entrega de comida no Brasil, o quinto maior do mundo, é apontado por especialistas como um dos mais disputados e concentrados, mesmo com potencial de crescimento. Isso inviabilizaria a expansão de empresas internacionais por aqui. O americano Uber Eats e o espanhol Glovo, por exemplo, já tentaram atuar no segmento, mas desistiram.

No capítulo mais recente da briga entre os aplicativos, a Keeta, da chinesa Meituan, adiou os planos de chegada ao Rio de Janeiro, embora tenha a meta de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos. A empresa começou a operar no país em outubro de 2025 e está presente em 11 cidades.

Segundo Danilo Mansano, vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Keeta, um dos desafios para expandir os negócios é o chamado contrato de exclusividade com bares e restaurantes, prática de iFood e 99Food.

— O ambiente deve permitir a concorrência justa, em vez de impor barreiras estruturais que limitam o crescimento e a inovação. Neste momento, priorizamos resolver fatores estruturais que impedem uma concorrência justa e causam disfuncionalidades no mercado — afirma Mansano.

A Keeta tem processo contra o 99Food no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que regula a concorrência no Brasil, e na Justiça. Procurada, a 99 “disse que o amadurecimento do setor e o avanço das discussões regulatórias ajudam a criar um ambiente mais estruturado para o crescimento das plataformas digitais”.

O domínio do iFood também é comumente apontado pelos concorrentes como uma barreira. A empresa detém 80% do mercado, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Desde 2023, segue um termo de compromisso firmado com o Cade que prevê, entre outras restrições, o limite de 25% das vendas atreladas a contratos de exclusividade. Ainda assim, lidera o setor com folga.

— O mercado vem aceitando novas empresas, o que mostra seu potencial, mas é um ambiente complexo por conta da relação com os restaurantes — avalia o professor da Escola de Negócios do Insper João Montenegro Soares.

Para Bruno Henriques, CEO do iFood Pago e diretor de Operações do iFood, “o mercado precisa operar com regras claras e acompanhamento das autoridades concorrenciais, garantindo uma concorrência saudável”.