Finanças
Drone, IA e robô já estão no cardápio dos restaurantes
Empresas de delivery investem em tecnologia para otimizar rotas, acelerar entregas e reduzir custos. Uso de apps já representa entre 20% e 30% do faturamento de bares
A tecnologia é grande aliada na busca por um serviço mais eficiente na entrega de comida. Desde as gigantes do ramo a pequenas startups, soluções inovadoras com uso de (IA), como atendimento e ofertas hiperpersonalizadas, rotas para entregadores, previsão do tempo de preparo do prato, além de testes com robôs e drones, são trunfos em expansão.
O usa a IA para melhorar a sincronia e o fluxo entre restaurantes, entregadores e clientes. A automação também está na hiperpersonalização de cardápio, com sugestões aos usuários em diferentes momentos do dia, com base em seus hábitos, processados por um modelo de IA generativa.
Em fevereiro, 12 milhões de pedidos foram realizados com apoio a esse sistema. O iFood, que processa 180 milhões de entregas mensais, aciona cerca de 30 modelos de IA por pedido.
A empresa investiu recentemente R$ 17 bilhões no seu negócio, incluindo tecnologia, inovação e expansão logística. A nova fronteira são os testes com robôs e drones.
Trajeto mais curto
No caso dos drones, uma operação em conectar condomínios de Barra dos Coqueiros, praia na Região Metropolitana de Aracaju, ao shopping Rio Mar. Lá, a aeronave faz em minutos três um trajeto que, por terra, levaria 30. A próxima rota de entrega deve ser no estado de . Um dos desafios é a regulamentação para operações comerciais em larga escala, ainda em discussão no Brasil.
Já os robôs autônomos, batizados de ADA, estão em fase de teste em três shoppings de São Paulo. A ADA faz a primeira etapa da entrega, levando o pedido do restaurante até um hub central do shopping, onde o entregador retira os pacotes, agilizando o processo.
O futuro do delivery é um serviço cada vez mais automatizado e menos dependente da proatividade humana, explica Thiago Capeleiro, diretor de Tecnologia para Logística no iFood.
— O horizonte é um livro aberto de possibilidades, mas o que podemos afirmar com certeza é que a experiência não vai se parecer com o que existe hoje. Os agentes deixam de ser assistentes e se tornam executores. Antecipam, decidem e idade. O pedido passa a ser uma consequência, não uma tarefa.
Assim como seu concorrente, o 99Food usa análise de dados para otimizar as entregas. A plataforma consegue identificar, em tempo real, o entregador mais próximo para cada pedido. Além disso, investe em tecnologias próprias de mapeamento e previsão, traçando rotas mais rápidas e adequadas aos motociclistas.
Paralelamente, algoritmos preditivos estimam o tempo de preparo dos pedidos nos restaurantes, sincronizando melhores as etapas do serviço. Uma das principais fatias do investimento de R$ 2 bilhões previstas até junho pela empresa será aplicada em inovação.
— Vemos a tecnologia como um diferencial determinante para o sucesso da operação. Para os consumidores, significa receber o pedido com mais agilidade. Para os entregadores parceiros, representa uma operação mais eficiente, com possibilidade de mais corridas e mais oportunidades de ganhos. Já para os restaurantes, a dinâmica se torna mais fluida, com mais capacidade de atender um volume maior de pedidos — explicou Bruno Rossini, diretor sênior de Comunicação da 99.
Alternativa aos grandes
Os serviços de delivery representam de 20% a 30% do faturamento dos restaurantes no Brasil, diz Mauricio Costa, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio (Abrasel-RJ), e a tendência é aumentar. Por isso, a associação celebra a chegada de novas redes ao Brasil.
— O ano de 2025 foi um momento de otimismo para nós, com o anúncio da entrada do 99Food e da Keeta (atualmente só em São Paulo). Tende a melhorar as condições, o serviço, e as taxas cobradas aos restaurantes tendem a ficar mais adequadas.
Empresas menores também oferecem soluções tecnológicas que são uma alternativa aos grandes aplicativos. A Deeliv é uma plataforma de automação e gestão para restaurantes, com foco em estabelecimentos pequenos e médios — há 2 mil ativos. Ela unifica as principais ferramentas operacionais do parceiro em um único software, além de oferecer serviços como autoatendimento, soluções para gestão do fluxo da cozinha, para entregadores e sugestões de cardápio.
— A Deeliv surgiu para desenvolver uma tecnologia capaz de automatizar o atendimento e organizar os pedidos dentro do, utilizando robôs e fluxos inteligentes. Nosso objetivo é democratizar o acesso à tecnologia para pequenos restaurantes, com ferramentas antes exclusivas de grandes redes — explica Felippe Bueno, CEO da Deeliv.
No PediZap, o foco também é melhorar os pedidos com foco no WhatsApp. A empresa oferece plataforma de pedidos integrada ao aplicativo de mensagens e automação de atendimento.
— O futuro da entrega tem três pilares: automação, canais próprios e inteligência de dados — diz Thiago Pilastri, CEO da PediZap.
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