Finanças

Drone, IA e robô já estão no cardápio dos restaurantes

Empresas de delivery investem em tecnologia para otimizar rotas, acelerar entregas e reduzir custos. Uso de apps já representa entre 20% e 30% do faturamento de bares

Agência O Globo - 24/03/2026
Drone, IA e robô já estão no cardápio dos restaurantes
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A tecnologia é grande aliada na busca por um serviço mais eficiente na entrega de comida. Desde as gigantes do ramo a pequenas startups, soluções inovadoras com uso de (IA), como atendimento e ofertas hiperpersonalizadas, rotas para entregadores, previsão do tempo de preparo do prato, além de testes com robôs e drones, são trunfos em expansão.

O usa a IA para melhorar a sincronia e o fluxo entre restaurantes, entregadores e clientes. A automação também está na hiperpersonalização de cardápio, com sugestões aos usuários em diferentes momentos do dia, com base em seus hábitos, processados ​​por um modelo de IA generativa.

Em fevereiro, 12 milhões de pedidos foram realizados com apoio a esse sistema. O iFood, que processa 180 milhões de entregas mensais, aciona cerca de 30 modelos de IA por pedido.

A empresa investiu recentemente R$ 17 bilhões no seu negócio, incluindo tecnologia, inovação e expansão logística. A nova fronteira são os testes com robôs e drones.

Trajeto mais curto

No caso dos drones, uma operação em conectar condomínios de Barra dos Coqueiros, praia na Região Metropolitana de Aracaju, ao shopping Rio Mar. Lá, a aeronave faz em minutos três um trajeto que, por terra, levaria 30. A próxima rota de entrega deve ser no estado de . Um dos desafios é a regulamentação para operações comerciais em larga escala, ainda em discussão no Brasil.

Já os robôs autônomos, batizados de ADA, estão em fase de teste em três shoppings de São Paulo. A ADA faz a primeira etapa da entrega, levando o pedido do restaurante até um hub central do shopping, onde o entregador retira os pacotes, agilizando o processo.

O futuro do delivery é um serviço cada vez mais automatizado e menos dependente da proatividade humana, explica Thiago Capeleiro, diretor de Tecnologia para Logística no iFood.

— O horizonte é um livro aberto de possibilidades, mas o que podemos afirmar com certeza é que a experiência não vai se parecer com o que existe hoje. Os agentes deixam de ser assistentes e se tornam executores. Antecipam, decidem e idade. O pedido passa a ser uma consequência, não uma tarefa.

Assim como seu concorrente, o 99Food usa análise de dados para otimizar as entregas. A plataforma consegue identificar, em tempo real, o entregador mais próximo para cada pedido. Além disso, investe em tecnologias próprias de mapeamento e previsão, traçando rotas mais rápidas e adequadas aos motociclistas.

Paralelamente, algoritmos preditivos estimam o tempo de preparo dos pedidos nos restaurantes, sincronizando melhores as etapas do serviço. Uma das principais fatias do investimento de R$ 2 bilhões previstas até junho pela empresa será aplicada em inovação.

— Vemos a tecnologia como um diferencial determinante para o sucesso da operação. Para os consumidores, significa receber o pedido com mais agilidade. Para os entregadores parceiros, representa uma operação mais eficiente, com possibilidade de mais corridas e mais oportunidades de ganhos. Já para os restaurantes, a dinâmica se torna mais fluida, com mais capacidade de atender um volume maior de pedidos — explicou Bruno Rossini, diretor sênior de Comunicação da 99.

Alternativa aos grandes

Os serviços de delivery representam de 20% a 30% do faturamento dos restaurantes no Brasil, diz Mauricio Costa, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio (Abrasel-RJ), e a tendência é aumentar. Por isso, a associação celebra a chegada de novas redes ao Brasil.

— O ano de 2025 foi um momento de otimismo para nós, com o anúncio da entrada do 99Food e da Keeta (atualmente só em São Paulo). Tende a melhorar as condições, o serviço, e as taxas cobradas aos restaurantes tendem a ficar mais adequadas.

Empresas menores também oferecem soluções tecnológicas que são uma alternativa aos grandes aplicativos. A Deeliv é uma plataforma de automação e gestão para restaurantes, com foco em estabelecimentos pequenos e médios — há 2 mil ativos. Ela unifica as principais ferramentas operacionais do parceiro em um único software, além de oferecer serviços como autoatendimento, soluções para gestão do fluxo da cozinha, para entregadores e sugestões de cardápio.

— A Deeliv surgiu para desenvolver uma tecnologia capaz de automatizar o atendimento e organizar os pedidos dentro do, utilizando robôs e fluxos inteligentes. Nosso objetivo é democratizar o acesso à tecnologia para pequenos restaurantes, com ferramentas antes exclusivas de grandes redes — explica Felippe Bueno, CEO da Deeliv.

No PediZap, o foco também é melhorar os pedidos com foco no WhatsApp. A empresa oferece plataforma de pedidos integrada ao aplicativo de mensagens e automação de atendimento.

— O futuro da entrega tem três pilares: automação, canais próprios e inteligência de dados — diz Thiago Pilastri, CEO da PediZap.