Finanças

Aplicativos de delivery já vendem de pet shops e passagens aéreas a medicamentos

Empresas entregam de itens para pets a compras de mercado e vendem até passagem aérea, tudo para atender a busca por conveniência do cliente

Agência O Globo - 24/03/2026
Aplicativos de delivery já vendem de pet shops e passagens aéreas a medicamentos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As empresas que atuam no mercado de delivery não se limitam mais a entregar refeições. Com a maior concorrência, a estratégia passou a ser a diversificação das atividades, com a oferta de diferentes produtos e serviços, de pet shops e passagens aéreas a medicamentos.

De acordo com empresas e analistas, essa aposta vem acompanhada de investimentos em logística e inteligência artificial para não apenas agilizar a chegada dos pedidos, mas também entender o que o consumidor busca.

A 99, controlada pela chinesa Didi, iniciou suas atividades com o serviço de mobilidade no país. Agora, vem apostando na ampliação do ecossistema com soluções de entrega de objetos e transporte de cargas, por meio do 99Entrega, além do delivery de comida, com o 99Food. Criou ainda o 99Pay, conta digital que oferece serviços de pagamento e outras soluções financeiras dentro de seu aplicativo.

A empresa, que no ano passado voltou a investir no delivery de refeições, quer aproveitar a atuação em mais de 3.300 cidades para buscar novos segmentos.

— A 99 vem diversificando e ampliando sua atuação. Hoje não somos mais um aplicativo que oferece um único serviço. Somos um superapp que conecta diferentes serviços em um mesmo lugar — disse Bruno Rossini, diretor de Comunicação da empresa lembrando que a meta é que o 99Food chegue a mais cem cidades até meados deste ano, com aporte de R$ 2 bilhões até junho.

Alta de 80% nos pedidos

Líder de mercado em delivery de comida, o iFood, hoje, abriga diversas categorias em sua plataforma. São 500 mil estabelecimentos parceiros ativos. No caso de farmácias, por exemplo, a empresa mantém um marketplace com redes do segmento, que somam 22 mil unidades no país.

Bruno Henriques, CEO do iFood Pago e diretor de Operações do iFood, frisa que áreas como pet shop, shopping e bebidas cresceram, em média, 86% em número de pedidos no último ano.

— Esse movimento acompanha uma mudança clara no comportamento do consumidor, que passou a buscar mais conveniência para resolver diferentes necessidades do dia a dia em um único ambiente digital. Ao integrar diferentes categorias na mesma plataforma, conseguimos destravar ocasiões de consumo e tornar o delivery mais frequente — diz Henriques, destacando o uso de inteligência artificial para otimizar rotas de entregas e sugerir o que o cliente busca de forma correta.

A companhia vem ampliando a atuação em diferentes ramos por meio de parcerias, como com a Decolar, que permite que pedidos feitos no iFood gerem pontos para viagens. Fez ainda integração com o Uber, por meio da qual pode se pedir comida pelo app de mobilidade e corrida pelo app de entrega; entrou no acirrado segmento de vale-refeição — já são mais de um milhão de usuários —; e desenvolveu soluções financeiras por meio do iFood Pago, que disponibiliza crédito para restaurantes.

Segundo especialistas, a busca do consumidor é pela conveniência. Por isso, as companhias vêm ampliando os investimentos em suas áreas de atuação.

— O delivery deixou de ser apenas uma solução para refeições e passou a atender diferentes momentos de consumo, como turismo, farmácia, floricultura, comida congelada, ampliando o papel dessas plataformas no varejo digital. Vemos ainda redes de mercado e grifes de roupas e perfumes abrindo lojas próprias dentro das plataformas para buscar consumidores — afirma Cléber Nascimento, da CB Consultoria de Varejo.

O colombiano Rappi, que hoje se identifica como “delivery de tudo”, oferece alimentos, remédios e produtos em geral, apostando em entregas cada vez mais rápidas a partir de pontos de coleta e centros de microdistribuição espalhados por diversas cidades.

Dentro dessa estratégia, a companhia também partiu para aquisições nos últimos anos, comprando a Box Delivery, especializada em entregas rápidas, e fez parceria com a Amazon. Criou ainda a Rappi Travel, que vende passagens aéreas, serviços de hospedagem e tours em mais de 140 países.

— O consumidor hoje valoriza não apenas variedade de produtos, mas também previsibilidade e rapidez na entrega. Ele busca conveniência, preço e agilidade. O Brasil é um mercado estratégico para o Rappi na América Latina, e vemos muito espaço para crescimento, principalmente na expansão de categorias e na melhoria da experiência do usuário — afirma Felipe Criniti, CEO do Rappi.

Gigantes do e-commerce

A diversificação se repete como estratégia de gigantes de comércio eletrônico. A Amazon também vem investindo na ampliação de seu portfólio. Criou a loja de compras internacionais, a seção de “Achadinhos”, com itens a partir de R$ 5, e a categoria de alimentos frescos e congelados.

Como parte desse modelo de negócios, afirma Ricardo Pagani, diretor de Operações da companhia, foi lançado neste mês o Amazon Now, serviço de entregas em até 15 minutos em oito cidades brasileiras, entre elas São Paulo, Rio e Recife.

— A ideia é que o cliente receba em casa, em questão de minutos, desde frutas e verduras frescas até produtos de higiene, limpeza e bebidas. Tudo isso é potencializado por inteligência artificial. Usamos dados em tempo real para otimizar rotas, prever demanda e garantir que o pacote certo chegue no menor tempo possível. Em 2025, os produtos essenciais representaram 95 dos cem itens mais vendidos nas entregas expressas.

O Mercado Livre não quer ficar atrás. Já desenvolve projeto para atuar no varejo farmacêutico, com foco na digitalização do acesso a produtos e serviços de saúde. E firmou parcerias com Assaí, Decathlon, Natura, Pandora e Carolina Herrera para que as marcas tenham suas lojas oficiais dentro da plataforma.

Roberta Donato, vice-presidente de marketplace do Mercado Livre, lembra que a ampliação de categorias é apoiada pelo reforço logístico.

— Temos 27 centros de distribuição no país e reduzimos o valor mínimo de compras para frete grátis para R$ 19 — diz ela, destacando ainda o avanço dos serviços financeiros, com o Mercado Pago.