Finanças

Inclusão nas entregas: serviço de delivery chega às comunidades

Serviço prioriza mão de obra das favelas. Custo da operação é desafio

Agência O Globo - 24/03/2026
Inclusão nas entregas: serviço de delivery chega às comunidades
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Moradores de comunidades nem sempre puderam desfrutar da facilidade de fazer um pedido on-line e receber uma encomenda em casa. O que já era comum no asfalto só se tornou possível com o surgimento de serviços de logística voltados para esse público, que consome cerca de R$ 300 bilhões por ano, de acordo com o Data Favela.

Um deles é o Delivery das Favelas, criado em 2021. Disponível em mais de cem comunidades na Grande Rio e em outras 1.600 em São Paulo, o aplicativo atende moradores que querem tanto comprar — por dia, são feitos cerca de 500 entregas, principalmente de refeições e medicamentos — quanto vender mercadorias, inclusive para fora da comunidade. Aproximadamente 30 empreendedores já estão cadastrados.

A operação é realizada por 40 entregadores, todos moradores de favelas. Desde o ano passado, em parceria com o programa Sandbox.Rio, da prefeitura carioca, o Delivery das Favelas usa lockers na Nave do Conhecimento Nova Brasília, no Complexo do Alemão, como opção de ponto de coleta e entrega de produtos.

Organizar parceiros

Mais de cinco milhões de pessoas usam o aplicativo dentro e fora das comunidades. Segundo o fundador e CEO do Delivery das Favelas, Anderson Marcelo, a plataforma planeja, neste ano, abrir a operação no Nordeste, começando por Salvador.

— Nosso maior desafio é convencer as grandes companhias a fechar parceria. O processo de negociar e integrar tecnologias ainda é burocrático e leva seis meses a um ano para ser concluído — conta Marcelo, que já morreu em favelas no Rio e se queixava da falta desse tipo de serviço.

Giva Pereira, fundadora e CEO da Favela Brasil Xpress, resolveu o mesmo problema durante os oito anos em que morou em Paraisópolis, comunidade na Zona Sul de São Paulo. A startup foi lançada em 2020. No projeto-piloto feito com as Americanas, cerca de 50 entregas eram realizadas diariamente. Um mês depois, já eram 500 entregas diárias, graças também às parcerias com Casas Bahia e Riachuelo.

A Favela Brasil Xpress agora possui quatro microcentros de distribuição e atuação em São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, atendendo 300 comunidades e bairros do entorno. A média é de quatro mil entregas diárias. O número de colaboradores chega a 250, sendo 200 entregadores, todos moradores de comunidades.

— É um trabalho da comunidade para a comunidade. A gente não entrega só um produto, mas também felicidade, dignidade e esperança — destaca Pereira.

Na startup de logística naPorta, cerca de 40% das entregas têm como destino destinos em favelas. A Logtech, cujo principal cliente é o Shopee, viabiliza a operação por meio de parcerias com líderes comunitários, que ficam responsáveis ​​por agências de distribuição dentro das comunidades.

Do galpão principal da empresa, na Zona Oeste do Rio, as encomendas seguem para essas agências, de onde são levadas até o consumidor. São seis agências, cinco no Rio e uma em Santo André (SP), e cerca de 40 entregadores.

— Existe um potencial de compra absurdo nas comunidades. O desafio é o custo. É uma operação mais cara porque é mais complexa, é preciso treinar muita gente — afirma o cofundador e diretor de Operações da naPorta, Leonardo Medeiros.