Finanças

China afrouxa regras e governo Lula tenta destravar venda de soja após devolução de navios

Missão brasileira está na China em negociações

Agência O Globo - 23/03/2026
China afrouxa regras e governo Lula tenta destravar venda de soja após devolução de navios
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Brasil e China chegaram a um acordo para flexibilizar as regras sanitárias da soja brasileira, após a devolução de navios e o aumento das tensões comerciais nas últimas semanas. A informação foi confirmada por representantes do setor exportador brasileiro.

Pelo acerto, as autoridades chinesas aceitaram deixar de aplicar o critério de tolerância zero para a presença de ervas daninhas nas cargas. A mudança abre caminho para destravar embarques a curto prazo. A expectativa é que parte dos embarques possa ser liberada sem novas inspeções. Ao mesmo tempo, Brasil e China tentam definir um padrão comum de tolerância.

O objetivo é evitar novos gargalos no pico da temporada de exportações, período em que o Brasil domina as importações chinesas de soja.

Uma missão do Ministério da Agricultura iniciou nesta segunda-feira negociações com autoridades do país asiático para detalhar os novos parâmetros. As conversas estão em estágio inicial e ainda não há decisões definitivas.

Na prática, a China deixou de exigir que a soja esteja totalmente livre de impurezas. A fiscalização continua, mas com menor rigidez.

Ainda não há definição de um limite numérico para a tolerância. Esse ponto será discutido nas próximas rodadas. Até lá, a liberação seguirá baseada em análise de risco.

O impasse recente teve impacto direto no comércio. Cerca de 20 navios com soja brasileira foram devolvidos por autoridades chinesas por descumprimento de regras sanitárias. O volume envolvido varia entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas.

No ano, o Brasil deve exportar cerca de 112 milhões de toneladas de soja. A China responde por aproximadamente 80% das vendas externas do produto, o que amplia o efeito de qualquer restrição.

O endurecimento das exigências também dificultou a emissão de certificados fitossanitários, documento essencial para a exportação. Sem ele, a carga não pode ser entregue nem paga.

Na semana passada, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não flexibilizou a fiscalização. Disse que a qualidade da soja brasileira é “inquestionável”, mas reconheceu que a preocupação chinesa é legítima. Ele também defendeu a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio entre os dois países.

Procurado, o Ministério da Agricultura ainda não se manifestou a respeito do assunto.