Finanças
China afrouxa regras e governo Lula tenta destravar venda de soja após devolução de navios
Missão brasileira está na China em negociações
Brasil e China chegaram a um acordo para flexibilizar as regras sanitárias da soja brasileira, após a devolução de navios e o aumento das tensões comerciais nas últimas semanas. A informação foi confirmada por representantes do setor exportador brasileiro.
Pelo acerto, as autoridades chinesas aceitaram deixar de aplicar o critério de tolerância zero para a presença de ervas daninhas nas cargas. A mudança abre caminho para destravar embarques a curto prazo. A expectativa é que parte dos embarques possa ser liberada sem novas inspeções. Ao mesmo tempo, Brasil e China tentam definir um padrão comum de tolerância.
O objetivo é evitar novos gargalos no pico da temporada de exportações, período em que o Brasil domina as importações chinesas de soja.
Uma missão do Ministério da Agricultura iniciou nesta segunda-feira negociações com autoridades do país asiático para detalhar os novos parâmetros. As conversas estão em estágio inicial e ainda não há decisões definitivas.
Na prática, a China deixou de exigir que a soja esteja totalmente livre de impurezas. A fiscalização continua, mas com menor rigidez.
Ainda não há definição de um limite numérico para a tolerância. Esse ponto será discutido nas próximas rodadas. Até lá, a liberação seguirá baseada em análise de risco.
O impasse recente teve impacto direto no comércio. Cerca de 20 navios com soja brasileira foram devolvidos por autoridades chinesas por descumprimento de regras sanitárias. O volume envolvido varia entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas.
No ano, o Brasil deve exportar cerca de 112 milhões de toneladas de soja. A China responde por aproximadamente 80% das vendas externas do produto, o que amplia o efeito de qualquer restrição.
O endurecimento das exigências também dificultou a emissão de certificados fitossanitários, documento essencial para a exportação. Sem ele, a carga não pode ser entregue nem paga.
Na semana passada, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não flexibilizou a fiscalização. Disse que a qualidade da soja brasileira é “inquestionável”, mas reconheceu que a preocupação chinesa é legítima. Ele também defendeu a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio entre os dois países.
Procurado, o Ministério da Agricultura ainda não se manifestou a respeito do assunto.
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