Finanças

Perto do fim do prazo, Correios tem menos de 30% de adesão ao Programa de Demissão Voluntária

Inscrições se encerram no dia 31 deste mês e não devem ser prorrogadas

Agência O Globo - 23/03/2026
Perto do fim do prazo, Correios tem menos de 30% de adesão ao Programa de Demissão Voluntária
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A cerca uma semana dias do fim do prazo, os Correios ainda têm adesão baixa ao Programa de Demissão Voluntária (PDV). Até agora, as inscrições não chegam a três mil contra uma meta de dez mil desligamentos este ano.

Mesmo com os números baixos, a cúpula já vem avisando aos funcionários que o prazo não será prorrogado e que as próximas opções serão mais restritivas. É esperado que as adesões aumentem mais perto do fim da data-limite, que se encerra no dia 31 de março, já que as pessoas tendem a decidir de "última hora".

Dúvidas

Parte da empresa, porém, tem dúvidas sobre o sucesso da iniciativa, já que as indenizações têm teto de R$ 600 mil. O PDV atual é uma reabertura do programa do ano passado, lançado ainda sob o comando de Fabiano Silva dos Santos, ex-presidente dos Correios. Naquela época, a adesão foi de 3,6 mil funcionários.

Para tentar aumentar a atratividade, a direção lançou um novo plano de saúde, que abarca familiares até o 4º grau de parentesco, de modo a aplacar uma das principais preocupações do público-alvo. O valor é custeado pelos funcionários, mas a contratação é mais barata se comparado aos valores de mercado.

O PDV é uma das principais medidas de corte de gastos do plano de reestruturação da estatal, que vive a pior crise de sua história. Se alcançar a meta de 15 mil desligamentos até o fim de 2027, a empresa estima que a economia anual será de R$ 2,1 bilhões.

Rede de atendimento

O programa também se conecta com outra ação liderada pela gestão Rondon: a otimização da rede de atendimento. Já foram fechadas mais de 120 unidades, cerca de 10% da meta de 1 mil. Mas a empresa está finalizando um estudo técnico sobre a otimização da rede de atendimento e de distribuição em todo país.

O levantamento vai considerar a evolução de formatos de atendimento utilizados pelos Correios. Estruturas tradicionais podem dar lugar a modelos mais flexíveis, como pontos de coleta e lockers.

A estatal já avisou que irá comunicar previamente aos funcionários pelas unidades substituídas ou suprimidas. "A empresa avaliará possibilidades de realocação em outras unidades ou atividades da própria rede, buscando conduzir o processo de forma organizada e respeitosa", disse em comunicado aos servidores.

Venda de imóveis ociosos

Outra medida que já está em curso é a venda de imóveis ociosos, cuja expectativa ao final é levantar R$ 1,5 bilhão. Os leilões começaram em fevereiro, em fase teste. Os resultados ficaram dentro do esperado, mas as propriedades participantes eram menores e a arrecadação foi de R$ 9 milhões, cerca de 20% do valor ofertado.

Nesta semana, ocorre a segunda rodada. Serão leiloados dois terrenos em Brasília e um em Salvador, avaliados, conjuntamente, em quase R$ 600 milhões. Um deles fica às margens do Lago Paranoá, região nobre da capital federal, e terá lance mínimo de R$ 275 milhões.

Os Correios ainda estão promovendo mudanças no plano de saúde dos funcionários, que é mantido pela estatal. Só em janeiro houve uma economia de R$ 70 milhões. A meta para o ano é de R$ 700 milhões.

Recuperação de receitas

No âmbito das receitas, a principal linha de atuação por enquanto é a regularização das operações, de modo a aumentar a qualidade do serviço. O primeiro passo foi a negociação de dívidas, que já chega a 98%. Também está sendo implementado gradualmente pelo país um novo modelo de rotas de distribuição.

O índice de entrega no prazo ainda está aquém da meta de 96% em nível nacional - foi de 80,55% em fevereiro. Mas 14 estados já bateram ou estão muito próximos do alvo, como São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Tocantins e Roraima. Na ponta oposta, os piores índices são de Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mesmo assim, a conclusão é de que a recuperação das receitas está em linha com o plano de reestruturação.

A empresa ainda está discutindo com o Conselho de Administração o valor do novo empréstimo que será pedido ao mercado. Há uma avaliação de que será necessário menos do que R$ 8 bilhões para prover liquidez para a operação até o fim do ano que vem.

Esse é o valor máximo autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para empréstimos com aval da União para estatal este ano. No fim do ano passado, conseguiu fechar um contrato de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras.