Finanças
Governo espera levantar R$ 1,5 bi com novo leilão do Galeão
Propostas deverão ser entregues nesta segunda-feira, uma semana antes da disputa, marcada para o dia 30. Além da atual concessionária, suíça Zurich e espanhola Aena deverão participar
O novo leilão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), previsto para o dia 30 na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, é aguardado com expectativa pelo governo e pelo mercado. Técnicos do Ministério de Portos e Aeroportos apostam que o certame poderá gerar uma arrecadação de R$ 1,5 bilhão. O valor precisa ser desembolsado à vista pelo vencedor da disputa e representa ágio de 62,5% sobre o lance mínimo de R$ 932 milhões, fixado no edital.
Efeito colateral:
Galeão pode mudar de mãos?
Os interessados precisam entregar as propostas amanhã. Segundo os técnicos, entre os que têm interesse no terminal estão o atual operador do aeroporto, RIOgaleão, consórcio formado pela gestora brasileira Vinci Compass e pela Changi (de Cingapura); a suíça Zurich Airport, que administra os aeroportos de Florianópolis, Vitória, Natal e Macaé (RJ); e a espanhola Aena, que está em Congonhas (SP) e em terminais do Nordeste.
No Galeão:
A chance de o Galeão mudar de mãos é real, disse um executivo que acompanha a movimentação no mercado. O aeroporto irá a leilão pela segunda vez em processo simplificado, após flexibilizações das regras contratuais acordadas entre Tribunal de Contas da União (TCU), governo, atual concessionário e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Infraero sairá do negócio
O Galeão fez parte das primeiras rodadas de concessão de aeroportos, em 2013, no governo Dilma Rousseff. Com outorga mínima de R$ 4,8 bilhões, o terminal foi arrematado por R$ 19 bilhões pelo consórcio então formado por Odebrecht Transport e Changi. A Infraero ficou com 49% do terminal, na regra original.
As projeções de movimentação de passageiros e receitas acabaram frustradas, e a outorga oferecida acabou pesada demais. Em 2017, a Changi comprou a parte da Odebrecht no negócio. A situação do aeroporto tinha se agravado com a crise econômica. E piorou com a pandemia. . A estatal Infraero manteve os 49% da concessão, mas sairá do negócio com a nova licitação, saída encontrada para as dificuldades financeiras.
Combustíveis:
Entre as principais alterações que virão com a relicitação estão a transformação da outorga anual fixa em variável, conforme o faturamento do aeroporto, e desobrigação de fazer investimentos pesados, como construção de uma nova pista. O prazo da concessão termina em 2039, conforme previa o contrato original.
Na avaliação do mercado, as condições atuais do certame são atraentes. Além disso, o aeroporto vem se recuperando e conta com dois aspectos importantes: ser o terceiro maior destino de cargas importadas (atrás de Guarulhos e Viracopos, ambos em São Paulo) e ser porta de entrada para o turismo, com gastos de passageiros internacionais.
Importância da Gol
Outro fato que potencializa o interesse dos investidores foi com a aeronave Airbus A330, com capacidade para quase 300 assentos. A empresa deve começar a operar voos diretos para Nova York no segundo semestre, com previsão de voos para Europa, uma iniciativa que fará concorrência com a Latam, a partir de Guarulhos.
Analistas do mercado afirmam que o Galeão desperta o interesse da Aena devido à ponte aérea (Rio-SP), a partir de Santos Dumont. A operadora poderia definir incentivos para operações no Galeão. A suíça Zurich já tem escritório no Rio e, portanto, seria bom negócio ampliar essa base, disse um executivo.
— Esse leilão promete uma boa disputa. Representa a consolidação do modelo azeitado pelo TCU e que está dando certo — disse Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, que reúne as maiores empresas de infraestrutura de transporte do Brasil.
O modelo aprovado pelo TCU é uma tentativa de salvar concessões antigas problemáticas e vem sendo adotado nos setores rodoviário e aeroportuário. O leilão ocorre em formato assistido e tem por objetivo identificar novos interessados, evitando-se questionamentos jurídicos sobre eventuais favorecimentos.
Se não houver interessados no Galeão, o atual operador continua na administração do aeroporto, mediante pagamento do lance mínimo.
Riscos para o investidor
Marcus Quintella, diretor do FGV Transportes, afirmou que as condições do leilão são boas em termos de modelagem financeira. Entretanto, ele disse não acreditar em ágio elevado, devido aos riscos para o investidor.
— Há riscos políticos do país, incerteza regulatória e o problema do Santos Dumont, que tem papel importante no estado e não pode ser alijado do processo. A regulação hoje não é definitiva. Pode haver uma flexibilização no futuro e isso deve ser precificado pelo interessado — disse Quintella.
Em nota, a RIOgaleão destacou apenas a transparência do processo: “RIOgaleão informa que, no âmbito do processo que antecede o teste de mercado, tem seguido os ritos previstos, garantindo a transparência necessária para o processo”. Já a Aena informou que “está sempre atenta às oportunidades de crescimento e de novos investimentos no setor aeroportuário brasileiro e avalia criteriosamente todas as possibilidades”. A Zurich disse que não comenta sobre potenciais novos negócios, mas ressaltou que o Brasil continua sendo um mercado prioritário.
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