Finanças
Caminhos do Brasil: ‘A gente não precisa dar um cavalo de pau’, diz economista sobre escala 6x1
Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, defende que redução da jornada tem que ser discutida com responsabilidade e por meio de acordos entre patrões e empregados
A redução da jornada de trabalho deve ser debatida com responsabilidade e por meio de acordos entre patrões e empregados , afirma Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Bentes converteu um estudo sobre os impactos do fim da escala 6x1 e alertou que as propostas de emenda à Constituição (PECs) em tramitação na Câmara podem encarecer a mão de obra e aumentar a informalidade.
Escala 6x1
Questionado sobre modelos alternativos às PECs que tornariam a flexibilização da escala de trabalho economicamente viável, Bentes destaca:
"Da forma como está, o gradualismo teria que ser muito grande. Embora o gradualismo possa amortecer esse tipo de situação, se a decisão for colocada de forma linear, sem abrir espaço para uma negociação mais ampla entre patrões e empregados, o impacto só vai vir em um prazo mais longo."
Segundo ele, ninguém é contra a formalização e a proteção dos trabalhadores, mas tornar esse anseio economicamente viável depende de negociação coletiva. "O momento atual, com taxa de desemprego baixa e escassez de mão de obra, é até favorável para os trabalhadores nesse tipo de negociação. A gente não precisa dar cavalo de pau na legislação ", afirma.
efeito
Sobre a possibilidade de uma variação da automação no varejo diante da redução da jornada, o economista ressalta:
"No momento em que o acesso à tecnologia fica cada vez mais barato e acessível, o encarecimento da mão de obra e da hora trabalhada de forma abrupta torna o investimento em tecnologia mais atraente. E aí, o tiro pode sair pela culatra."
Ele alerta que, em vez de gerar vagas, pode-se gerar desemprego, já que o empresário pode optar por investir mais em tecnologia do que em mão de obra.
Economistas se dividem
O mercado de trabalho brasileiro possui cerca de 40% dos trabalhadores na informalidade. Sobre o risco de agravamento desse cenário, Bentes observa:
“Se uma hora trabalhada ficar mais cara, é provável que boa parte do setor produtivo recorra à informalidade na contratação. Não defendemos isso. Um trabalhador informal é um trabalhador insatisfeito.”
Ele acrescenta que um trabalhador desprotegido tem menor poder de consumo, já que a renda média do informal é de 30% a 40% inferior à do trabalhador formal. “Encarecer a hora trabalhada pode estimular a informalidade”, conclui.
Quanto ao impacto sobre vagas para jovens e iniciantes no comércio, Bentes pondera:
“Fechamento é um termo um pouco forte, mas a porta pode ficar mais estreita.”
Fim da escala 6x1
Sobre a necessidade de regras diferenciadas para o comércio em relação a outros setores, ele argumenta:
"Se precisarmos comprar um alimento num domingo ou sábado, encontraremos o comércio aberto. Isso significa que o setor precisa de mais trabalhadores e oferece mais vagas porque opera em escala maior. Restringir essa capacidade pode levar à redução do horário de funcionamento, o que é ruim para a população."
(Com informações do Valor)
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