Finanças
A cerca de uma semana do fim do prazo, Correios tem menos de 30% de adesão ao PDV
Inscrições para programa se encerram e 31 de março e não devem ser prorrogadas
A cerca de uma semana do fim do prazo, os Correios ainda têm adesão baixa ao Programa de Demissão Voluntária (PDV), uma das principais medidas da gestão de Emmanoel Rondon para cortar custos da empresa. Até o momento, as inscrições não chegam a 3 mil contra uma meta de 10 mil desligamentos este ano.
Mesmo com os números baixos, a cúpula já vem alertando aos funcionários que o prazo não será prorrogado e que as próximas opções serão mais restritivas. É esperado que as adesões aumentem mais perto do fim do data-limite, que se encerra no dia 31 de março, já que as pessoas tendem a decidir de "última hora".
Parte da empresa, porém, tem dúvidas sobre o sucesso da iniciativa, já que as indenizações têm teto de R$ 600 mil. O PDV atual é uma reabertura do programa do ano passado, lançada ainda sob o comando de Fabiano Silva dos Santos, ex-presidente dos Correios. Naquela época, a adesão foi de 3,6 mil funcionários.
Para tentar aumentar a atratividade, a direção lançou um novo plano de saúde, que abarca familiares até o 4º grau de parentesco, de modo a aplacar uma das principais preocupações do público-alvo. O valor é estimado pelos funcionários, mas a contratação é mais barata se comparada aos valores de mercado.
O PDV é uma das principais medidas de corte de gastos do plano de reestruturação da estatal, que vive a pior crise de sua história. Se alcançar a meta de 15 mil desligamentos até o final de 2027, a empresa estima que a economia anual será de R$ 2,1 bilhões.
Rede de trabalho
O programa também se conecta com outra ação desenvolvida pela gestão Rondon: a otimização da rede de atendimento. Já foram fechadas mais de 120 unidades, cerca de 10% da meta de 1 mil. Mas a empresa está finalizando um estudo técnico sobre a otimização da rede de atendimento e de distribuição em todo o país.
O levantamento vai considerar a evolução dos formatos de atendimento utilizados pelos Correios. Estruturas tradicionais podem dar lugar a modelos mais flexíveis, como pontos de coleta e armários.
O governo já avisou que irá comunicar previamente aos funcionários pelas unidades remanescentes ou suprimidas. “A empresa avaliará possibilidades de realocação em outras unidades ou atividades da própria rede, buscando direcionar o processo de forma organizada e respeitosa”, disse em comunicado aos servidores.
Outra medida que já está em andamento é a venda de imóveis ociosos, cuja expectativa ao final é levantar R$ 1,5 bilhão. Os leilões chegaram em fevereiro, em fase de teste. Os resultados ficaram dentro do esperado, mas as propriedades participantes foram menores e a arrecadação foi de R$ 9 milhões, cerca de 20% do valor oferecido.
Nesta semana, ocorre a segunda rodada. Serão leiloados dois terrenos em Brasília e um em Salvador, avaliados, conjuntamente, em quase R$ 600 milhões. Um deles fica às margens do Lago Paranoá, região nobre da capital federal, e terá lance mínimo de R$ 275 milhões.
Os Correios ainda estão promovendo mudanças no plano de saúde dos funcionários, que é fechado pelo estatal. Só em janeiro houve uma economia de R$ 70 milhões. A meta para o ano é de R$ 700 milhões.
Recuperação de receitas
No âmbito das receitas, a principal linha de atuação por enquanto é a regularização das operações, de modo a aumentar a qualidade do serviço. O primeiro passo foi a negociação de dívidas, que já chega a 98%. Também está sendo implementado pelo país um novo modelo de rotas de distribuição gradualmente.
O índice de entrega no prazo ainda está abaixo da meta de 96% em nível nacional - foi de 80,55% em fevereiro. Mas 14 estados já bateram ou estão muito próximos do alvo, como São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Tocantins e Roraima. Na ponta oposta, os piores índices são da Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mesmo assim, a conclusão é de que a recuperação das receitas está em linha com o plano de reestruturação.
A empresa ainda está discutindo com o Conselho de Administração o valor do novo empréstimo que será pedido ao mercado. Há uma avaliação de que será necessária menos do que R$ 8 bilhões para provar a liquidez para a operação até o fim do ano que vem.
Esse é o valor máximo autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para empréstimos com aval da União para estatal este ano. No fim do ano passado, consegui fechar um contrato de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras.
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