Finanças
Imposto de Renda: veja os erros mais comuns na declaração e dicas de como evitar a malha fina
Período de entrega da declaração começa na próxima segunda-feira (dia 23) e vai até 29 de maio
O período de entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2026 (ano-base 2025) começa na próxima segunda-feira (dia 23) e se estende até 29 de maio. Na hora de preencher o documento, é necessária atenção redobrada e sempre ter à mão os informes que comprovem rendimentos e despesas, para evitar cair na malha fina. Além disso, especialistas apontam que é fundamental ter controle financeiro ao longo do ano.
Isso porque, após a entrega, as declarações são analisadas pela Receita Federal, que verifica se as informações enviadas correspondem aos dados fornecidos por outras entidades, como empresas, instituições financeiras e planos de saúde.
Se for encontrada alguma divergência, a declaração será separada para uma análise mais detalhada, chamada de malha fiscal, popularmente conhecida como “malha fina”. Isso não significa, necessariamente, que haja erro, mas que será preciso comprovar determinadas informações. O contribuinte não receberá a restituição enquanto a declaração estiver em análise.
Entre os principais motivos de retenção estão divergências de rendimentos, deduções indevidas, dependentes declarados de forma incorreta e incompatibilidade entre renda declarada e evolução patrimonial. Como a Receita cruza dados com bancos, empresas, planos de saúde e outras fontes, qualquer informação inconsistente pode gerar retenção.
Segundo Patrícia Bastazini, sócia da Bastazini Contabilidade, muitos contribuintes acreditam que o erro ocorre no momento da declaração, quando, na verdade, ele se constrói ao longo do ano.
— O contribuinte declara com base nos documentos que tem em mãos, enquanto a Receita trabalha com informações cruzadas. Quando não há controle financeiro mensal, as chances de divergência aumentam — explica.
Erros que levam à malha fina
Omissão de rendimentos
Rendimentos de aluguéis, trabalhos eventuais, aplicações financeiras e valores recebidos como pessoa física costumam ser esquecidos. Mesmo valores baixos devem ser informados, pois a Receita recebe esses dados diretamente das fontes pagadoras.
Incompatibilidade entre renda e patrimônio
Quando a renda declarada não acompanha a evolução do patrimônio ou do padrão de vida, o sistema da Receita identifica o descompasso automaticamente.
Despesas médicas não confirmadas ou não dedutíveis
Esses problemas ocorrem quando a despesa médica declarada não é confirmada pelo profissional, clínica ou hospital. Para evitar inconsistências, é essencial guardar os comprovantes por, no mínimo, cinco anos.
Richard Domingos, diretor da Confirp, alerta que despesas que parecem ligadas à saúde, como massagista, nutricionista, enfermeiros particulares, compra de óculos, medicamentos e vacinas, não são dedutíveis, a menos que estejam incluídas na conta de uma unidade de saúde. Informar esses gastos indevidamente pode levar o contribuinte à malha fina. academia por exeplo, não é
Além disso, só é possível abater despesas médicas de terceiros se eles estiverem declarados como dependentes. Pagamentos feitos a pessoas fora da declaração não são aceitos para dedução.
Dependentes declarados de forma incorreta
Incluir dependentes que já constam na declaração de outro contribuinte ou informar despesas que não correspondem ao dependente declarado gera inconsistência imediata. Além disso, É comum que rendimentos de dependentes, como filhos em estágio ou pais aposentados, não sejam informados na declaração.
Segundo o contador Richard Domingos, toda renda recebida por dependentes deve ser incluída, já que, ao vinculá-los, o contribuinte precisa declarar todos os seus bens, direitos, dívidas, ônus e bônus desse dependente.
Cálculo de rendimentos acumulados
Nessa ficha, o próprio contribuinte precisa calcular e informar os valores à Receita. Quando há ganho de causa em ações trabalhistas e de revisão de aposentadoria, por exemplo, a parcela abocanhada pelo Leão tende a ser maior do que se o objeto do processo fosse realizado de forma contínua.
Segundo Richard Domingos, como não há informe oficial da Receita, é necessário reunir os dados com o advogado e montar um demonstrativo. Se as informações não coincidirem com a base do Fisco, a declaração pode cair na malha fina.
Aluguel é esquecido
Muita gente esquece que o aluguel é renda tributável e deve ser declarado. Quando pago por empresa ou administradora, entra como Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Se vier de pessoa física, deve ser informado na ficha Rendimentos Tributáveis Recebidos de PF/Exterior.
Além disso, locadores que receberam um valor acima de R$ 2.259,20 devem preencher mensalmente o Carnê-Leão, um sistema de recolhimento obrigatório de Imposto de Renda.
Tipos de previdência privada
Muitas pessoas confundem a prestação de contas sobre os regimes de previdência privada adotados. A previdência privada do tipo PGBL pode reduzir em até 12% a base de cálculo do que é devido em tributos à Receita, enquanto o VGBL não permite abatimento.
Declaração de ganhos com bets
O contribuinte terá de informar à Receita Federal os ganhos obtidos em 2025 com apostas esportivas e plataformas de jogos on-line, conhecidas como “bets”, que deverão ser declarados no Imposto de Renda de 2026. Além dos prêmios recebidos, os contribuintes também precisarão informar os saldos mantidos nas contas dessas plataformas no fim do ano passado.
De acordo com o Fisco, a obrigação vale para quem recebeu mais de R$ 28.467,20 em prêmios ao longo de 2025 em apostas de quota fixa, modalidade que inclui as plataformas digitais de apostas e algumas loterias. Além disso, o saldo existente em 31 de dezembro de 2025 precisa ser informado quando ultrapassar R$ 5 mil.
A Receita também incluiu novos campos na declaração do Imposto de Renda de 2026 para que contribuintes informem rendimentos obtidos com bets. Com a alteração, o sistema passou a contar com um campo específico para informar receitas provenientes de apostas.
Dicas para evitar problemas com a Receita
Para reduzir o risco de cair na malha fina, Patrícia Bastazini recomenda algumas medidas simples, mas fundamentais:
Organize os documentos ao longo do ano, e não apenas na época da declaração
Confira se os informes de rendimentos batem com os valores declarados
Guarde recibos e comprovantes por, no mínimo, cinco anos
Evite declarar informações com base apenas na memória
Revise informações com antecidência para corrigir inconsistências a tempo de enviar a declaração no prazo
Busque orientação contábil antes do envio da declaração, especialmente em casos de rendas variadas ou patrimônio relevante
Segundo a especialista, caso a declaração seja retida, o contribuinte ainda pode regularizar a situação por meio de retificação, desde que identifique o erro e apresente as informações corretas.
— Quanto antes o problema é tratado, menores são os riscos de multa e complicações — finaliza a contadora.
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