Finanças
Saída de Fernando Haddad provoca mudanças estratégicas na Fazenda
Nova formação, com a manutenção de pessoas da confiança do ministro em cargos-chave, indica continuidade da política econômica que vinha sendo implementada pelo petista.
A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, prevista para esta sexta-feira (20), desencadeia uma série de mudanças estratégicas na pasta. O atual ministro deixará o cargo para disputar o governo do Estado de São Paulo pelo PT.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já confirmou que aceitou a indicação de Haddad e anunciou a nomeação de Dario Durigan, atual secretário-executivo, para assumir o comando do ministério. Durigan, que ocupa o posto desde junho de 2023, é reconhecido pelo perfil técnico e pela habilidade em negociações.
— Quero cumprimentar o companheiro Dario Durigan, levanta aí para as pessoas conhecerem, que será o substituto do Haddad na Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olhem bem para a cara dele porque é ele que vocês vão cobrar muitas coisas — afirmou Lula durante a 17ª Caravana Federativa, em São Paulo.
Para a secretaria-executiva, o escolhido é Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional. Já Daniel Leal, hoje subsecretário de Dívida Pública, deve assumir a secretaria do Tesouro.
Ceron foi um dos principais articuladores do novo arcabouço fiscal, a principal regra de gestão das contas públicas da atual administração. O arcabouço substituiu o teto de gastos, permitindo crescimento real das despesas de até 2,5% ao ano — o teto anterior limitava o aumento à inflação do ano anterior.
Durigan e Ceron mantêm uma relação de longa data com Haddad, tendo sido auxiliares do ex-prefeito de São Paulo entre 2013 e 2016. Daniel Leal é servidor de carreira do Tesouro desde 2014 e assumiu a subsecretaria no ano passado.
Confiança e continuidade
A permanência de pessoas próximas a Haddad em cargos estratégicos sinaliza a continuidade da política econômica adotada pelo petista.
A Fazenda já vinha passando por ajustes nos últimos meses. Em janeiro, Régis Dudena deixou a Secretaria de Prêmios e Apostas para comandar a Secretaria de Reformas Econômicas, após a saída de Marcos Pinto. Mathias Alencastro, ex-assessor especial de Haddad, assumiu a Secretaria de Assuntos Internacionais, substituindo Tatiana Rosito, que se tornou diretora do Banco Mundial na Ásia.
Também houve a extinção da secretaria especial de Reforma Tributária, liderada por Bernard Appy, após a aprovação da reforma dos impostos sobre o consumo.
Novas mudanças ainda podem ocorrer caso Lula aceite a indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, para uma das diretorias vagas do Banco Central.
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