Finanças
Bancos firmam parceria com Coaf e podem arcar com custos de novo sistema do órgão
Para as instituições financeiras, a modernização teria ganhos operacionais
Bancos e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) firmaram uma parceria para modernizar os mecanismos de prevenção e combate à lavagem de dinheiro. Entre as iniciativas previstas está a colaboração no desenvolvimento de um novo sistema para o órgão, segundo fontes próximas ao tema.
A medida surge diante do reconhecimento de que as ferramentas atualmente utilizadas pelo Coaf são consideradas obsoletas para lidar com o elevado volume de notificações sobre movimentações atípicas e realizar cruzamentos de dados que permitam identificar suspeitas de lavagem de dinheiro ou outros ilícitos financeiros. O Coaf é vinculado ao Banco Central.
Desde que assumiu o comando do órgão, em julho do ano passado, Ricardo Saadi tem defendido a atualização dos programas, incluindo o uso de inteligência artificial. No entanto, o avanço dessas iniciativas esbarra em limitações orçamentárias. Saadi também destaca que o enfrentamento ao crime financeiro depende da cooperação entre instituições públicas e privadas.
Para os bancos, a modernização dos sistemas representa ganhos operacionais. Instituições financeiras e outras entidades reguladas pelo Banco Central são obrigadas a notificar o Coaf sempre que identificam movimentações suspeitas. No entanto, segundo executivos do setor, muitas acabam enviando um volume excessivo de informações para evitar sanções, diante da falta de retorno sobre a qualidade ou utilidade dos dados enviados.
Esse excesso de notificações acaba sobrecarregando o Coaf. Uma troca mais eficiente de informações, respeitando o sigilo bancário, poderia ajudar as instituições a aprimorar seus mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e fraudes.
Os bancos manifestaram disposição em colaborar financeiramente com o desenvolvimento do novo sistema e também devem atuar de forma consultiva no projeto. O programa será desenvolvido por uma consultoria contratada pelo Coaf, que coordenará todo o processo.
O acordo de cooperação prevê ainda o intercâmbio de profissionais dos bancos para reforçar o efetivo do Coaf em atividades que não envolvam dados protegidos por sigilo.
A parceria foi formalizada nesta quinta-feira, com a assinatura de um acordo entre o Coaf, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), durante evento realizado no Banco Central.
Segundo nota da ABBC, o acordo estabelece diretrizes para a construção de uma agenda conjunta, com foco no aprimoramento tecnológico e no desenvolvimento de iniciativas colaborativas a serem detalhadas em um plano de trabalho, visando o fortalecimento institucional do sistema brasileiro de inteligência financeira.
Leandro Vilain, presidente da ABBC, ressaltou que o acordo é um exemplo de parceria público-privada. “Trata-se de uma iniciativa importante para reforçar a cooperação entre o setor público e o setor financeiro, contribuindo para o aprimoramento contínuo dos instrumentos de prevenção e combate a crimes financeiros no país”, afirmou Felipe Natale, diretor Jurídico e Legislativo da ABBC.
Como já noticiado por O Globo, a nova gestão do Coaf busca maior aproximação com os bancos e está estruturando ações preventivas para aprimorar a identificação de contas vinculadas a ilícitos financeiros. Antes, essa orientação ocorria de forma irregular, mas o objetivo agora é institucionalizar a parceria, prevendo encontros regulares. A estratégia também contempla setores como apostas esportivas (bets), fintechs e criptoativos.
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