Finanças
Saída de Haddad provoca dança das cadeiras na Fazenda; veja mudanças
Nova equipe mantém nomes de confiança do ministro em cargos-chave e sinaliza continuidade da política econômica petista.
A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, oficializada nesta sexta-feira, desencadeia uma série de mudanças na pasta. Haddad será o candidato do PT ao governo de São Paulo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que aceitou a indicação de Haddad e anunciou que o atual secretário-executivo, Dario Durigan, assumirá o comando da Fazenda. Durigan ocupa a secretaria-executiva desde junho de 2023 e é reconhecido pelo perfil técnico e pela habilidade em negociações.
— Quero cumprimentar o companheiro Dario Durigan, levanta aí para as pessoas conhecerem, que será o substituto do Haddad na Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olhem bem para a cara dele porque é ele que vocês vão cobrar muitas coisas — afirmou Lula durante a 17ª Caravana Federativa, em São Paulo.
Para o lugar de Durigan na secretaria-executiva, foi escolhido Rogério Ceron, atual secretário do Tesouro Nacional. Daniel Leal, hoje subsecretário de Dívida Pública, deve assumir a Secretaria do Tesouro.
Ceron é um dos principais articuladores do arcabouço fiscal, a nova regra de gestão das contas públicas que substituiu o teto de gastos, permitindo crescimento real das despesas de até 2,5% ao ano — antes, o teto limitava o aumento à inflação do ano anterior.
Durigan e Ceron mantêm uma relação próxima com Haddad desde a gestão do petista na Prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016. Já Daniel Leal é servidor de carreira do Tesouro desde 2014 e está na subsecretaria desde o ano passado.
A permanência de aliados de Haddad em posições estratégicas indica a continuidade da política econômica adotada pelo ministro.
A Fazenda já vinha sofrendo alterações recentes. Em janeiro, Régis Dudena deixou a Secretaria de Prêmios e Apostas para comandar a Secretaria de Reformas Econômicas, após a saída de Marcos Pinto. Mathias Alencastro, ex-assessor especial de Haddad, assumiu a Secretaria de Assuntos Internacionais, após a exoneração de Tatiana Rosito, que passou a atuar como diretora do Banco Mundial na Ásia.
Outra mudança foi a extinção da Secretaria Especial de Reforma Tributária, comandada por Bernard Appy, após a aprovação da reforma dos impostos sobre o consumo.
Novas alterações podem ocorrer caso Lula aceite a indicação de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, para uma das diretorias vagas no Banco Central.
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