Finanças

Petrobras reavalia preços dos combustíveis diariamente diante da guerra no Oriente Médio

Estatal aumenta uso das refinarias e reforça produção para enfrentar volatilidade global

Agência O Globo - 18/03/2026
Petrobras reavalia preços dos combustíveis diariamente diante da guerra no Oriente Médio
Petrobras reavalia preços dos combustíveis diariamente diante da guerra no Oriente Médio - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (18) que a estatal está reavaliando o cenário de preços dos combustíveis devido à guerra no Oriente Médio. Na semana passada, a companhia elevou o valor do diesel A em R$ 0,38 por litro para as refinarias, o que representa um aumento de R$ 0,32 no diesel B (após mistura com biodiesel) vendido nos postos.

“Estamos, novamente, reavaliando para saber o que será necessário daqui para frente e como podemos atuar enquanto estatal, evitando a volatilidade para a sociedade e, ao mesmo tempo, honrando os investimentos dos acionistas, sejam eles públicos ou privados. Daqui para frente, vamos ter que olhar isso todos os dias”, disse Magda Chambriard durante o evento de criação do Museu do Petróleo e Novas Energias, no Centro do Rio.

Segundo Chambriard, havia expectativa de que o conflito envolvendo o Irã fosse breve. Ela destacou que o fluxo de cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados por dia pelo Estreito de Ormuz está praticamente interrompido e que a produção de cerca de 8 milhões de barris diários de petróleo cru no Oriente Médio foi afetada.

“Isso afeta a expectativa de recuperação, porque interromper a produção é fácil, mas restaurá-la não é tão simples, principalmente quando se trata de instalações bombardeadas”, acrescentou.

A presidente da Petrobras informou ainda que decidiu suspender o leilão de diesel que ocorreria na última segunda-feira para reavaliar o estoque disponível:

“Suspendemos o leilão porque há necessidade de reavaliar, a todo momento, o estoque disponível, para que não entreguemos tudo em um dia e falte no dia seguinte”, explicou.

Ela garantiu que a companhia não descontinuou nenhuma entrega já acordada e ainda antecipou entre 10% e 15% das entregas.

“O adiamento do leilão é fruto da nossa percepção de que o adiantamento das cotas que fizemos não permitiria manter esse ritmo, sob risco de penalizar novamente a sociedade diante da volatilidade do mercado internacional. Nosso fator de utilização das refinarias, em março, passou para 95%, e estamos estimando 98,5% em abril. Estamos fazendo das tripas coração para ampliar a entrega das nossas refinarias. Realizamos, por exemplo, a postergação de manutenções. Tenho refinarias hoje operando a 100,2%, o que significa que estamos produzindo derivados acima da capacidade instalada em algumas unidades”, concluiu Magda Chambriard.