Finanças
Brasil tem recorde de recuperações judiciais; o que explica a crise das empresas em 2026
Alta histórica de companhias em reestruturação expõe mudança estrutural no ambiente de negócios e exige nova postura de gestão
Brasil, março de 2026 — O Brasil entrou em 2026 com um dado que chama a atenção no mercado: o número de empresas em recuperação judicial atingiu o maior patamar da série recente. Ao final de 2025, eram cerca de 5,6 mil companhias em processo de reestruturação, um crescimento superior a 20% em relação ao ano anterior e reflexo direto de um ambiente econômico mais pressionado.
Mais do que um indicador de crise pontual, o avanço revela uma transformação no perfil das dificuldades enfrentadas pelas empresas brasileiras. Crédito mais caro, aumento da inadimplência, oscilações de demanda e custos operacionais elevados passaram a compor um cenário mais complexo, que exige respostas rápidas e estruturadas por parte dos gestores.
Para o advogado Assis Camargo Costa Neto, do escritório GMP | G&C, especialista em direito empresarial, o fenômeno é resultado de uma combinação de fatores econômicos e falhas na adaptação das empresas a esse novo contexto. “O que estamos vendo não é apenas uma crise isolada, mas um ambiente mais exigente para as empresas. Margens mais apertadas, dificuldades de acesso a crédito e mudanças no comportamento de consumo pressionam negócios que, muitas vezes, já operavam com fragilidades”, afirma.
Dados recentes ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2024, os pedidos de recuperação judicial já haviam registrado forte alta, com crescimento superior a 60% em relação ao ano anterior, indicando uma tendência que se consolidou ao longo de 2025. O fenômeno também se espalhou por diferentes setores da economia.
O agronegócio, historicamente visto como um dos pilares mais resilientes do país, passou a figurar entre os segmentos com maior número de pedidos. Ao longo de 2025, quase 2 mil solicitações de recuperação judicial foram registradas na cadeia do agronegócio, evidenciando que nem mesmo setores tradicionalmente sólidos estão imunes ao atual cenário.
Na avaliação de Assis Camargo, há também uma mudança relevante na forma como a recuperação judicial é utilizada no Brasil. “A recuperação judicial vem sendo utilizada de forma mais estratégica por parte das empresas, como uma ferramenta de reorganização e preservação da atividade econômica antes que a situação se torne irreversível”, explica.
Casos recentes ilustram essa nova dinâmica. Enquanto algumas empresas conseguem atravessar o processo e retomar o crescimento, outras enfrentam dificuldades para cumprir seus planos de reestruturação, especialmente diante de um ambiente ainda restritivo. Situações envolvendo grandes companhias e empresas de médio porte reforçam que o desafio não está apenas no acesso ao instrumento, mas na capacidade de execução e governança ao longo do processo.
“Muitas empresas ainda procuram ajuda quando o problema já está avançado. A recuperação judicial tende a ser mais eficiente quando há planejamento, transparência e um diagnóstico claro das causas da crise”, acrescenta o advogado.
Com um cenário econômico que ainda impõe desafios e a perspectiva de manutenção de crédito restrito ao longo de 2026, a tendência é de que os pedidos sigam em alta. “Mais do que um mecanismo de sobrevivência, a recuperação judicial é um instrumento estratégico, mas que exige preparo, disciplina e gestão profissional para gerar resultados concretos”, conclui o especialista.
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