Finanças
Tradicional, de potência e de bateria: entenda a diferença entre os três tipos de leilão de energia
Governo realizou nesta quarta o primeiro Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP), em São Paulo
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promovem diferentes modelos de leilões para garantir o abastecimento do sistema elétrico nacional. Enquanto, nos leilões tradicionais, as distribuidoras contratam volumes de energia (em megawatt-hora, MWh) para atender à demanda projetada de seus mercados, no LRCAP, a lógica é distinta: não se compra energia, mas sim a disponibilidade das usinas para geração quando necessário — por exemplo, em momentos de escassez ou picos de consumo.
Entre os empreendimentos cadastrados no leilão, destacam-se 311 projetos de usinas térmicas a gás natural, que somam 112.870 MW de potência instalada. Também foram inscritos três projetos de energia térmica a carvão, com capacidade total de 1.440 MW, além de 16 projetos de ampliação de usinas hidrelétricas (UHEs), que juntos representam 6.076 MW.
Entenda as diferenças entre os certos:
Leilão de energia
Criados em 2004, os leilões de energia são os principais instrumentos de contratação no setor elétrico brasileiro. Neles, as distribuidoras firmam contratos de longo prazo para garantir o fornecimento aos consumidores.
Podem participar tanto de usinas já em operação quanto de projetos em construção, cuja entrada em funcionamento costuma ocorrer entre um e seis anos após a contratação, explica João Pedro Assis, sócio da área de Energia do Lobo de Rizzo Advogados. Em geral, envolve grandes empreendimentos de geração centralizada, com fontes e regras definidas pelo MME e operacionalização pela CCEE.
Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP)
Diferente dos leilões tradicionais, o LRCAP contrata potência (em megawatts, MW), e não volume de energia. Na prática, pague-se para que as usinas estejam disponíveis e prontas para gerar quando acionadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), garantindo o atendimento nos momentos mais críticos.
O foco está na confiabilidade e na rapidez de resposta , e não apenas na quantidade de energia produzida. Por isso, participam ações mais flexíveis, como termelétricas e hidrelétricas com reservatório. O primeiro leilão desse tipo foi realizado em 2021, com a contratação de cerca de 4,7 GW de potência. Novas rodadas estão previstas para 2026.
Leilão de armazenamento (baterias)
Esse modelo segue uma lógica semelhante à do LRCAP, mas é específico para sistemas de armazenamento, como baterias, capazes de fornecer energia e potência em momentos críticos. A expectativa do MME é realizar o primeiro leilão desse tipo ainda no primeiro semestre de 2026, embora as diretrizes oficiais ainda não tenham sido publicadas.
Devem participar desenvolvedores, integradores, geradores e comercializadores que oferecem soluções com alta capacidade de resposta aos comandos do ONS. A aposta do setor é que esse tipo de contratação de investimentos de incentivo em armazenamento no país, ao oferecer contratos de longo prazo focados na entrega de potência.
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