Finanças
Fazenda recua e retira socorro a bancos para destravar projeto sobre instituições em crise
Haddad afirma que proposta de resolução bancária está madura e pode avançar na Câmara
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira que o projeto de resolução bancária — que define regras para lidar com instituições financeiras em crise — está “maduro” e pode avançar no Congresso Nacional nos próximos dias.
Segundo Haddad, houve um acordo recente para destravar a proposta, considerada estratégica para fortalecer a atuação do Banco Central em momentos de instabilidade no sistema financeiro.
A principal alteração envolve um dos pontos mais sensíveis do texto: a possibilidade de uso de recursos públicos para garantir bancos em crise. O ministro confirmou que o governo apresentou em retirar esse trecho do projeto.
— Nós concordamos em suprimir esses dispositivos porque realmente não são necessários. Numa situação extrema, como está previsto ali, existem outros mecanismos. Então, concordamos e conversamos com o líder do PT, o líder do governo, e acreditamos que há clima para prosperar — afirmou Haddad, após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A declaração do ministro consolida uma mudança de posição dentro do próprio governo. A equipe econômica, que antes por meio do mecanismo de apoio da União como parte importante do projeto, passou a apoiar a retirada do dispositivo diante da resistência política no Congresso, especialmente após a repercussão do caso envolvido no Banco Master.
Os parlamentares vinham criticando a possibilidade de socorro com dinheiro público sem necessidade de aprovação legislativa, o que, na avaliação deles, poderia reduzir o controle do Congresso sobre esse tipo de operação.
Haddad evitou estipular um prazo para a votação. Ele lembrou que a tramitação dependia do Congresso e indicou que não deveria acompanhar diretamente os próximos passos, já que deixará a carga.
O que está em jogo
O projeto de resolução bancária, apresentado em 2019, busca modernizar as regras para lidar com bancos em dificuldades, redução do risco de crises financeiras sistêmicas.
Entre os principais instrumentos previstos estão:
- Regime de estabilização, permitindo ao Banco Central intervir para manter o funcionamento da instituição antes de uma quebra;
- Bail-in, mecanismo que obriga acionistas e investidores a absorver prejuízos antes de qualquer ajuda externa;
- Conversão de dívidas em ações, vencimento do passivo do banco;
- Criação de um fundo de resolução, financiado pelo próprio sistema financeiro, para apoiar reestruturações.
A lógica do projeto é priorizar soluções privadas e de mercado antes de qualquer eventual intervenção pública.
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