Finanças
Governo Trump promove fórum sobre minerais críticos em São Paulo sem presença esperada da gestão Lula
Evento organizado pelo governo americano e entidades empresariais busca aproximar investidores e projetos minerais no Brasil
O governo de Donald Trump, dos Estados Unidos realiza nesta quarta-feira, em São Paulo, um fórum sobre minerais críticos que reunirá empresas, investidores e agências federais americanas, em uma tentativa de acelerar projetos no setor mineral brasileiro e ampliar a cooperação bilateral. Apesar do caráter estratégico do encontro, não são esperados representantes do governo Lula no evento.
Em um momento em que a Casa Branca deixa claro seu interesse em ter acesso aos minerais críticos e estratégicos do Brasil, interlocutores próximos a Washington afirmam que autoridades brasileiras foram convidadas. Ainda assim, até a véspera do evento não havia confirmação de participação de membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Instituições relevantes em debate, como os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e de Minas e Energia (MME), o BNDES, o Itamaraty e o Palácio do Planalto, não enviarão representantes ao fórum.
A ausência de representantes do governo federal não ocorre em um momento delicado da relação bilateral. Washington tem que adotar medidas mais duras no combate ao crime organizado transnacional, incluindo a possibilidade de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas e de receber ataques estrangeiros nas prisões brasileiras.
O governo brasileiro tem buscado evitar esse enquadramento e defender ampliar a cooperação policial e de inteligência como alternativa, argumentando que os dois países já mantêm estreita colaboração nessa área.
O ambiente diplomático também foi tensionado por episódios recentes envolvendo autoridades americanas. O subsecretário de Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Darren Beattie, que vinha mantendo interlocução com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e havia viagem planejada ao Brasil, teve o visto negado pelo Itamaraty.
O gesto foi interpretado em círculos diplomáticos como uma resposta às manifestações públicas de membros do governo americano sobre a política internacional brasileira e às críticas dirigidas às decisões do Supremo Tribunal Federal. Beattie teria usado o fórum como justificativa para o visto, mas não informou que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pela Corte a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A expectativa é que Lula e o presidente Donald Trump se reúnam em breve, em Washington. Um acordo bilateral para minerais críticos e um entendimento na área de segurança são esperados no encontro.
O encontro em São Paulo deverá reunir cerca de 180 participantes do setor privado, incluindo aproximadamente 100 empresas. Entre elas, 70 seriam mineradoras — tantas companhias já têm implicações quanto a empresas menores com projetos ainda em estágio inicial.
Foram confirmadas a presença de órgãos como a US International Development Finance Corporation (DFC), o Exim Bank, o Departamento de Estado, o Departamento de Comércio, o Departamento de Energia e a Trade and Development Agency (TDA).
A iniciativa ocorre em um momento em que Washington busca reduzir a dependência global da China não adequada e no processamento de minerais estratégicos. O Brasil é visto por autoridades americanas como um parceiro relevante nessa estratégia, tanto pelas reservas quanto pela experiência acumulada no setor mineral e na infraestrutura associada.
Interlocutores que acompanham o tema afirmam que os EUA afirmaram ao governo brasileiro, no início de fevereiro, uma proposta de parceria bilateral mais estruturada para o setor. O modelo planejado se aproxima de acordos firmados por Washington com países como Austrália e Japão e poderia incluir mecanismos como garantias de investimento, estímulos à atração de empresas americanas e apoio à estruturação de contratos de compra de longo prazo.
Minerais críticos são insumos minerais considerados estratégicos porque combinam alto valor industrial, oferta técnica em poucos países e dificuldade de substituição em cadeias produtivas essenciais. Entre nessa lista produtos como lítio, níquel, cobre, grafite e cobalto, usados na fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, semicondutores e equipamentos de defesa.
Já as terras raras formam um grupo específico de 17 elementos químicos, especialmente em trabalhadores permanentes de alta potência, fundamentais para motores elétricos, eletrônicos, telecomunicações, robótica, inteligência artificial e sistemas militares avançados. Embora sejam relativamente abundantes na natureza, esses elementos são restritos ao processamento complexo e hoje possuem sua cadeia global altamente especializada na China.
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