Finanças

BNDES busca solução para dívida da Raízen e reforça interesse na recuperação da empresa

Mercadante afirma que financiamentos do Banco à empresa contam com garantia real, que são as próprias usinas. Presidente do BNDES destaca que ativos da Cosan podem interessar à Petrobras

Agência O Globo - 17/03/2026
BNDES busca solução para dívida da Raízen e reforça interesse na recuperação da empresa
BNDES busca solução para dívida da Raízen e reforça interesse na recuperação da empresa - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Aloizio Mercadante , presidente do BNDES, afirmou que o banco está empenhado em encontrar uma solução para a Raízen, joint venture formada por Cosan e Shell, responsável por cerca de nove mil postos de combustíveis no país. Na última semana, a companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam aproximadamente R$ 65,1 bilhões.

De acordo com Mercadante, o BNDES não integra o processo de recuperação extrajudicial, pois seus financiamentos contam com garantia real , representado pelas próprias usinas da empresa. O banco, no entanto, figura entre os credores da Raízen.

— Temos todo o interesse de que essa empresa se recupere. Ela tem um peso muito grande no setor de biocombustíveis. Estamos colaborando para encontrar uma boa solução para a companhia — destaque Mercadante.

O presidente do BNDES ressaltou ainda que a Cosan, um dos sócios da Raízen, possui ativos sólidos e estratégicos, especialmente nas áreas de gás e na rede de postos de combustíveis.

— Esses ativos podem ser de interesse da Petrobras. Há sinergia com o estatal, mas é preciso avaliar se há interesse mútuo. No segmento de biocombustíveis, o aumento do preço do barril de petróleo tende a beneficiar o setor de etanol, que é um substituto direto para a frota nacional. A Cosan, apesar de sólida, enfrenta uma dívida elevada e está passando por um processo de ajuste — explicado.

A Raízen estima que, nos próximos 24 meses, será necessário desembolsar R$ 13 bilhões para amortização de dívidas. O plano de reestruturação financeira da empresa prevê capitalização por parte dos acionistas: a Shell vai aportar R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta Investimentos, holding do empresário Rubens Ometto, investirá mais R$ 500 milhões. Ometto controla a Cosan, mas a empresa já informou que não dispõe de recursos para acompanhar a capitalização no mesmo ritmo que a Shell.

Segundo a Raízen, o plano de reestruturação inclui ainda a conversão de parte das dívidas em participação acionária, percentual que será definido posteriormente, a substituição de obrigações por novos financiamentos e a reorganização societária. Está prevista também a venda de ativos da companhia.