Finanças
BNDES prepara nova linha de crédito para setores estratégicos afetados por conflitos globais
Banco planeja segunda versão do Brasil Soberano, expandindo apoio a empresas impactadas por tarifas e déficit comercial, com foco em fertilizantes.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) planeja lançar uma segunda versão do programa Brasil Soberano, com o objetivo de apoiar empresas brasileiras prejudicadas por tarifas internacionais e ampliar o foco para setores estratégicos com déficit comercial, como o de fertilizantes.
Segundo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, a iniciativa não apenas de dar continuidade ao apoio às empresas solicitadas pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, mas também contempla segmentos essenciais para a economia nacional. "Nossa avaliação é que precisamos de um Brasil Soberano 2. Há empresas que ainda enfrentam tarifas acima de 15%, que é o mínimo imposto pelos EUA a todos os parceiros comerciais. O problema se agrava quando a tarifa é superior aos concorrentes, como ocorre com setores na Resolução 232, incluindo siderurgia, alumínio, cobre e autopeças, que enfrentam tarifas de até 50%", explicou Mercadante.
O presidente do banco destacou ainda que o novo programa pretende ampliar o escopo, incluindo setores estratégicos como o de fertilizantes. “A guerra na Ucrânia evidencia a necessidade de reduzir a exposição do Brasil e fortalecer a capacidade de resposta diante de cenários turbulentos. Tanto a Rússia quanto o Irã, grandes produtores de fertilizantes, estão envolvidos em conflitos, o que impacta diretamente o segmento.
O Mercadante também ressaltou que cerca de R$ 6 bilhões do orçamento do programa Brasil Soberano ainda estão disponíveis na caixa do banco. "Temos recursos do programa que não foram utilizados e não impactam o orçamento. Eles podem ser devolvidos ao Tesouro, que poderão definir um novo programa. Entretanto, é necessária uma definição legal específica, e o Congresso precisa aprovar uma Medida Provisória. Já existe um diálogo avançado com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a equipe do Ministério da Fazenda; a decisão final cabe ao presidente Lula",.
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