Finanças
Governo do DF corre contra o tempo para tentar viabilizar aporte e salvar o BRB
Expectativa é reverter decisão judicial até o fim desta terça-feira, véspera da assembleia de acionistas
O governo do Distrito Federal intensifica esforços para viabilizar um transporte de aproximadamente R$ 6 bilhões e evitar o colapso do Banco de Brasília (BRB). O Executivo local busca reverter uma decisão judicial que impedia a transferência de imóveis públicos como garantia ao banco.
Decisão judicial trava aporte
Uma liminar concedida nesta segunda-feira (24) pelo juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni proíbe o governo do DF de realizar qualquer transferência de imóveis ou constituição de garantias em favor do BRB até nova decisão judicial.
Assembleia decisiva e plano de capitalização
A expectativa do governo é reverter a liminar até o fim desta terça-feira (25), véspera da assembleia de acionistas convocada para aprovar o plano de capitalização, que prevê medidas para fortalecer o balanço do banco após prejuízos resultantes da compra de ativos do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Ação popular e autores
A ação popular que resultou na liminar foi movida por Ricardo Cappelli, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque, Dayse Amarílio e Rodrigo de Castro Dias, todos do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Recurso do governo e busca por alternativas
O governo do DF entrou com recurso no mesmo dia, diante das incertezas geradas pela decisão judicial sobre o esforço para salvar o BRB. A oferta de imóveis foi uma solução encontrada pelo Executivo, que não dispõe de recursos financeiros imediatos para portar no banco.
Na semana passada, o governador Ibaneis Rocha sancionou uma lei que autoriza o uso de novos imóveis públicos para salvar o BRB. O plano prevê a incorporação desses ativos ao patrimônio do banco, cobrindo prejuízos de operações da antiga direção e do Banco Master. O objetivo é levantar até R$ 6,6 bilhões.
Exigências judiciais e avaliação de imóveis
Apesar da aprovação da lei, o juiz da 2ª Vara destacou a necessidade de avaliação prévia dos ativos e comprovação do interesse público. "Tal integralização com imóveis depende da comprovação do interesse público, além de autorização legislativa e avaliação prévia (...). Nada impede que o DF, por meio de procedimento administrativo, promova a avaliação dos bens, para qualquer finalidade, independente de lei. Contudo, tal integralização depende da comprovação do interesse público", diz a decisão.
Estratégias para recompor patrimônio
O plano de recuperação do BRB inclui a incorporação de imóveis como lastro para empréstimo de até R$ 3,3 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou a criação de um fundo imobiliário para levantar os recursos necessários e cobrir prejuízos decorrentes da compra da carteira de crédito do Master.
Risco de desenquadramento e impacto no balanço
A direção do banco teme não conseguir divulgar o balanço de 2025 até 31 de março, prazo para a realização da provisão, o que pode reduzir o patrimônio do BRB e deixá-lo desenquadrado nas regras prudenciais.
Impacto dos ativos do Banco Master
O balanço do BRB foi fortemente impactado pelos ativos recebidos do Master em troca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fraudulentas. Segundo o presidente do BRB, Nelson de Souza, o banco terá de reservar R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas e garantir a continuidade das operações.
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