Finanças

Apoio ao fim da escala 6x1 cresce e atinge 71% dos brasileiros, revela Datafolha

Pesquisa mostra aumento no apoio à redução da jornada semanal de trabalho, em debate no Congresso Nacional.

Agência O Globo - 15/03/2026
Apoio ao fim da escala 6x1 cresce e atinge 71% dos brasileiros, revela Datafolha
- Foto: DragonImages/Depositphotos

Sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa apenas um —, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (14). O tema, atualmente em discussão no Congresso, ganhou destaque no cenário político nas últimas semanas.

O levantamento aponta que 71% dos entrevistados defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana no Brasil, enquanto 27% são contrários e 3% não souberam responder.

O apoio à mudança cresceu em relação à pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2024, quando 64% se mostraram favoráveis ao fim da escala 6x1 e 33% eram contrários.

O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 137 municípios, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O debate propõe a adoção da escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, totalizando 40 horas semanais sem redução salarial.

O tema é tratado como prioridade pelo governo do presidente Lula, principalmente pelo apelo social em ano eleitoral. No pronunciamento do Dia das Mulheres, Lula destacou que a redução da jornada pode beneficiar especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam tarefas domésticas além do trabalho formal.

A pesquisa mostra que as mulheres são as maiores defensoras da mudança: 77% apoiam a redução, ante 64% dos homens. A margem de erro nesse recorte é de três pontos percentuais.

O debate ganhou impulso após manifestações favoráveis de ministros, como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).

Na última terça-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados realizou audiência pública para discutir propostas de alteração da jornada de trabalho. A aprovação na CCJ é o primeiro passo para que o tema avance no Legislativo.

Perfil dos entrevistados

Entre os entrevistados que trabalham até cinco dias por semana (53%) e os que trabalham seis ou sete dias (47%), o segundo grupo é menos favorável à redução: 68% apoiam a medida, contra 76% entre os que já têm jornada menor.

Segundo a análise, isso pode ocorrer porque há mais autônomos e empresários entre quem trabalha mais dias, e para eles, jornadas maiores podem significar maior renda. Já entre quem trabalha até cinco dias, há maior presença de servidores públicos, cuja remuneração não depende da duração da jornada.

Em relação à carga horária diária, 66% dos entrevistados trabalham até 8 horas por dia, 28% entre 8 e 12 horas, e 5% mais de 12 horas. Apenas 1% não soube responder.

Impactos e consequências na economia

Sobre os impactos para as empresas, os entrevistados se dividem: 39% acreditam em efeitos positivos e 39% em impactos negativos. Em dezembro de 2024, 42% apontavam efeitos negativos.

Quanto à economia, 50% avaliam que o fim da escala 6x1 terá impacto ótimo ou bom, enquanto 24% apontam efeito ruim ou péssimo.

Para os trabalhadores, 76% acreditam que a redução da jornada será ótima ou boa para a qualidade de vida. Entre quem já trabalha até cinco dias por semana, esse índice chega a 81%. Entre os que trabalham seis ou sete dias, fica em 77%.