Finanças

Preços da gasolina e do diesel já sobem nos postos do Rio de Janeiro

Dos dez postos de combustíveis analisados, nove tiveram aumento em uma semana

Agência O Globo - 14/03/2026
Preços da gasolina e do diesel já sobem nos postos do Rio de Janeiro
- Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Com as tensões da guerra no Irã pressionado o preço do petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio de energia —, consumidores já começam a sentir o impacto dos conflitos no bolso. O EXTRA visitou postos de no Rio de Janeiro na semana passada e nesta semana e identificou que, de dez estabelecimentos, nove registraram aumento nos combustíveis de até 8,71%.

Em um posto localizado na Região Central da cidade, o diesel passou de R$ 5,97 para R$ 6,49 em sete dias, um aumento de 8,71%. No mesmo estabelecimento, a gasolina sofreu uma variação de 5,27%, passando de R$ 6,07 para R$ 6,39. Foram as maiores variações registradas pelo levantamento. Já o etanol saltou de R$ 4,83 para R$ 5,09.

Apenas um dos postos analisados, localizado em Botafogo, na Zona Sul, não registrou aumento em nenhum combustível. Em um outro, na Zona Norte, o preço da gasolina e do etanol se mantiveram, mas o diesel passou de R$ 6,29 para R$6,49.

No Brasil, a principal produtora de petróleo e dona da maior parte das refinarias é a Petrobras. A estatal tem uma política de preços que não repassa a volatilidade de forma imediata. No entanto, também há refinarias privadas no país, que não seguem essa política e por isso, muitos postos registram aumento.

Além disso, o país importa tanto gasolina como diesel, cujos preços são atrelados ao mercado exterior. Quando o petróleo sobe lá fora, parte da gasolina e do diesel consumidos aqui têm seus preços reajustados com mais rapidez que os reajustes praticados pela Petrobras.

Na quinta-feira, o governo anunciou um pacote de medidas para segurar o preço dos combustíveis, porém, focado no diesel. Entre as medidas está a subvenção a importadores e produtores de diesel, a isenção dos tributos federais PIS e Cofins sobre o produto, a criação de um imposto temporário sobre a exportação de óleo bruto e diesel, além de multas para quem não repassar os benefícios ao preço final na bomba.

No entanto, a Petrobras informou nesta sexta-feira que, a partir deste sábado, vai elevar o preço do diesel para as distribuidoras em R$0,38 por litro. A alta será de 11,6%. Segundo a presidente da estatal, Madga Chambriard, o diesel subiria ainda mais - aumento de R$ 0,70 por litro - se não fosse esse pacote do governo.

Ao zerar tributos, o governo, na verdade, abriu caminho para a estatal fazer o reajuste anunciado hoje, pois a menor incidência de impostos ameniza o impacto da alta para o consumidor.

Eduardo Castro de 59 anos que abastecia seu carro em um posto no Maracanã, onde a gasolina saltou de R$ 6,09 para R$6,19 em uma semana, disse que o aumento era esperado.

— A perspectiva nunca é de melhorar, né? Temos que nos adaptar a essa situação toda da guerra — afirmou dono de uma locadora de carros.

Para ele, a medida do governo de zerar o PIS/Cofins é uma boa solução, já a fiscalização de postos, ineficaz.

— Não acredito que isso funcione já que temos uma redução dos fiscais por parte da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e muito relato de bomba fraudulenta. Já vi relato no WhatsApp de gente falando que o diesel está a R$8 em um posto do Méier. Acho que o melhor que consumidor pode fazer é pesquisar e ver qual posto está mais barato — disse.

Para o motorista de aplicativo Felipe Furtado de 30 anos, que abastecia em um posto de Botafogo— o único analisado pelo EXTRA que não registrou aumento— , além de também procurar postos mais em conta para tentar driblar a alta dos preços, uma outra saída é usar apps que dão cupom de desconto.

— Já aumentou muito da semana passada para cá. Tem alguns postos que eu estou usando aplicativo de desconto para poder manter aquele padrão porque esse aumento pesa no bolso, né? Como eu fico nessa correria, rodando o dia todo, optei pelo aplicativo— contou.

Segundo a taxista Cristiane Praça de 57 anos, os consumidores não têm muita escolha.

— Eu tenho que trabalhar, tenho que botar combustível. Eu rodo 12 horas por dia e gasto uma média de R$120 por dia de etanol em um preço normal. Com esse aumento, vou passar para R$150— disse— Eu como taxista posso até fazer uma corrida a mais pra compensar, mas pra quem ganha salário é pior. Está ruim pra todo mundo.

Veja a variação dos preços de combustíveis em postos do Rio de Janeiro