Finanças

Escala 6x1 ainda representa um terço dos empregos formais no Brasil

Estudo com dados do eSocial revela que 66,8% dos vínculos já seguem jornadas próximas ao modelo de cinco dias por semana, com até 40 horas de trabalho.

Agência O Globo - 12/03/2026
Escala 6x1 ainda representa um terço dos empregos formais no Brasil
- Foto: Ascom Sedics

Um levantamento apresentado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revela que 33,2% dos vínculos de trabalho no Brasil ainda seguem a escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e tem apenas um dia de descanso. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) durante audiência na Câmara dos Deputados.

A análise foi realizada a partir de informações do eSocial — sistema digital do governo federal que reúne registros de trabalhadores celetistas, estatutários, autônomos, avulsos, cooperados, empregados domésticos e estagiários. De acordo com o levantamento, 66,8% dos vínculos já seguem jornadas de até 40 horas semanais, geralmente distribuídas em cinco dias de trabalho.

Distribuição dos vínculos

O estudo analisou 50,3 milhões de vínculos trabalhistas registrados na base do sistema. Desse total, cerca de 14,8 milhões correspondem a trabalhadores que cumprem seis dias de jornada semanal, com cargas horárias de 44 horas ou mais. Outros 29,7 milhões já trabalham até 40 horas por semana, em formatos que se aproximam do modelo 5x2.

Os dados foram apresentados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que afirmou aos parlamentares que o cenário atual abre espaço para ampliar o debate sobre a redução da jornada semanal.

Segundo o ministro, a economia brasileira já teria condições de absorver mudanças nesse modelo.

— Neste momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo — afirmou Luiz Marinho durante a audiência.

Impacto da redução da jornada

Outro ponto destacado no estudo indica que uma eventual redução da jornada teria impacto estimado de 4,7% sobre a massa total de rendimentos no país. Segundo o governo federal, essa mudança não causaria disrupção macroeconômica e poderia ser absorvida pela economia.