Finanças
Haddad discute com Lula participação em viagem aos EUA e futuro no Ministério da Fazenda
Ministro da Fazenda é pressionado a disputar o governo de São Paulo e avalia permanência no cargo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que terá uma reunião, nesta quarta, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir se participará da viagem presidencial aos Estados Unidos, prevista para março, embora a data ainda não esteja confirmada. O futuro de Haddad à frente da Fazenda depende dessa decisão.
— Eu vou saber amanhã, tenho uma reunião com ele para decidir isso — disse Haddad. — Se eu for para os Estados Unidos, a data é uma; se eu não for, a data é outra.
Segundo o ministro, o Palácio do Planalto trabalha para agendar o encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre os dias 15 e 20 de março.
Como revelou O GLOBO nesta semana, Haddad foi convidado pelo Planalto a integrar a comitiva presidencial na viagem aos EUA. O governo conta com a participação do ministro para avançar nas negociações de um plano de cooperação na área de segurança nacional e combate à lavagem de dinheiro com o governo Trump.
Pressão para candidatura em São Paulo
Inicialmente, o desejo de Haddad era deixar o comando da Fazenda em meados de fevereiro, mas os planos foram adiados após pedido de Lula para que integrasse a comitiva em viagens à Índia e à Coreia do Sul, onde ambos se encontram atualmente. Entre os compromissos internacionais, cresce a expectativa sobre o futuro político do ministro: se será candidato ao governo paulista ou apenas atuará na campanha pela reeleição de Lula, como é seu desejo.
Caso decida concorrer ao governo de São Paulo ou a uma vaga no Senado, Haddad precisará deixar o cargo até o início de abril. A visita à Casa Branca ainda não tem data definida, mas deve ocorrer em março.
Combate ao crime organizado e cooperação internacional
Durante o encontro nos EUA, Lula pretende reforçar com Trump a necessidade de ampliar a cooperação para investigar e prender grandes criminosos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Segundo integrantes do governo, um dos alvos da conversa será o empresário Ricardo Magro, acusado pela Polícia Federal de sonegar R$ 26 bilhões em impostos.
Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, e controlador do Grupo Refit, foi alvo de operação conjunta da PF e da Receita Federal no fim do ano passado. Ele reside em Miami, na Flórida, e, segundo as investigações, o grupo teria movimentado recursos por meio de offshores em Delaware, considerado paraíso fiscal nos EUA. Tanto Magro quanto a empresa negam as irregularidades.
Haddad destacou-se como um dos principais porta-vozes do governo no combate ao crime organizado desde a operação contra a Refit, em novembro de 2025. O tema passou a integrar a pauta das negociações bilaterais com os Estados Unidos, inicialmente motivadas pelo tarifaço imposto por Trump — medida que foi parcialmente revertida pela Suprema Corte americana. O secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, chegou a apresentar o caso a Lula.
Em dezembro, Lula conversou por 40 minutos ao telefone com Trump e, em evento no Palácio do Planalto, afirmou ter solicitado ao presidente americano a prisão do dono da Refit.
— Liguei para o presidente Trump, dizendo que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, estamos à disposição. Enviei, no mesmo dia, a proposta do que queremos fazer. Disse que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, maior devedor do país e importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Se ele quiser ajudar, vamos prender logo esse aí — relatou Lula.
No último domingo, durante coletiva em Nova Délhi, Lula voltou a abordar o tema:
— Essa pessoa mora em Miami. Enviamos ao presidente Trump a foto da casa e o nome dele. Queremos essa pessoa de volta ao Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue os nossos bandidos — afirmou.
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