Finanças

Executivo vende empresa nos EUA e concede bônus milionário a funcionários

Trabalhadores receberão um total de US$ 240 milhões em bônus, mesmo sem participação acionária

Agência O Globo - 11/01/2026
Executivo vende empresa nos EUA e concede bônus milionário a funcionários
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O executivo Graham Walker surpreendeu o mercado ao vender a empresa norte-americana Fibrebond com uma condição inédita: 15% do valor da negociação seria destinado aos 540 funcionários. O montante total dos bônus chega a US$ 240 milhões — média de US$ 443 mil por colaborador —, independentemente de eles possuírem ações da companhia, segundo o Wall Street Journal.

Venda com reconhecimento inédito

Fundada por Walker e sua família, a Fibrebond é especializada na fabricação de invólucros para equipamentos elétricos. No início de 2025, Walker firmou acordo para vender a empresa à Eaton, gigante do setor de gerenciamento de energia, por US$ 1,7 bilhão.

O executivo fez questão de incluir como cláusula inegociável que parte expressiva do valor fosse destinada aos funcionários, como reconhecimento pela dedicação em períodos de crise.

Bônus pagos ao longo de cinco anos

De acordo com o Wall Street Journal, os pagamentos começaram em junho do ano passado e serão realizados ao longo de cinco anos, condicionados à permanência dos funcionários na empresa durante esse período. Quem tem mais tempo de casa poderá receber valores ainda maiores.

Surpresa e emoção entre os colaboradores

O anúncio dos bônus foi feito por meio de envelopes entregues aos funcionários, contendo detalhes sobre a premiação. As reações variaram entre surpresa, incredulidade e silêncio. Muitos utilizaram o dinheiro para quitar dívidas, comprar automóveis, investir na educação dos filhos ou garantir a aposentadoria.

Lesia Key, de 51 anos e há 29 na empresa, emocionou-se ao abrir a carta e usou o valor para quitar a hipoteca e abrir uma loja de roupas. Já Hong Blackwell, de 67 anos, pôde se aposentar imediatamente, já que a exigência de permanência de cinco anos não se aplicava a quem tinha mais de 65 anos.

Histórico de superação

Fundada em 1982, a Fibrebond enfrentou grandes desafios, como o incêndio que destruiu a fábrica em 1998. Mesmo diante da crise, a família Walker manteve o pagamento dos salários, fortalecendo a lealdade dos funcionários.

Nos anos 2000, a empresa sofreu com o estouro da bolha da internet, chegando a ter apenas três clientes e reduzindo drasticamente o quadro de colaboradores. Graham Walker e seu irmão assumiram o comando, focando na redução de dívidas e na diversificação dos negócios.

Em 2013, a empresa criou a divisão Fibrebond Power, apostando em estruturas industriais mais sofisticadas e se afastando do setor de telecomunicações. O investimento de US$ 150 milhões na produção para data centers impulsionou o crescimento durante a pandemia, com a demanda por computação em nuvem, inteligência artificial e terminais de gás natural liquefeito.