Finanças

Ex-presidente do BRB afirma à PF que banco não recuperou R$ 2,5 bilhões em ativos do Master

Instituição estatal aguarda conclusão de apuração para definir medidas sobre eventuais prejuízos

Agência O Globo - 31/12/2025
Ex-presidente do BRB afirma à PF que banco não recuperou R$ 2,5 bilhões em ativos do Master
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Banco Regional de Brasília (BRB) não conseguiu recuperar R$ 2,5 bilhões investidos na compra de carteiras de crédito do Banco Master, de Daniel Vorcaro, após a operação frustrada de aquisição da instituição. A informação foi prestada pelo ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, durante acareação realizada na terça-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Costa, o processo para reaver os recursos foi interrompido com a decretação de liquidação do Master pelo Banco Central (BC).

O BRB adquiriu R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito do Master, que foram consideradas inconsistentes pelo BC. O banco de Vorcaro, então, passou a substituir esses ativos, totalizando R$ 10,2 bilhões, restando, portanto, R$ 2,5 bilhões não recuperados.

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, também foi ouvido ontem no STF, mas foi dispensado de participar da acareação. A Polícia Federal buscava confrontar as informações de Vorcaro e Costa sobre o procedimento de substituição das carteiras.

A transação entre o BRB e o Master está sob investigação da Operação Compliance Zero, da PF. A aquisição das carteiras de crédito fazia parte de um negócio mais amplo, que seria a compra do Master pelo BRB, rejeitada pelo BC no início de setembro. A liquidação do Master foi decretada em novembro.

Em nota, o BRB informou que "aguarda a conclusão de apuração relacionada a eventual prejuízo no BRB para avaliar o cenário e tomar as medidas necessárias". A instituição ressalta que os detalhes estão sendo apurados em auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll Associates Brasil.

O banco reafirma sua robustez e destaca que, dos R$ 12,76 bilhões mencionados pela imprensa, referentes à exposição bruta com documentação fora do padrão, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos; o restante não representa exposição direta ao Master. Todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, previsto em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central, segundo nota do BRB.

De acordo com pessoas que acompanharam os depoimentos, mesmo sem recuperar parte das carteiras de crédito, apontadas como fraudulentas pelas investigações da PF, Costa assegurou que não há risco de o BRB registrar prejuízo, pois há R$ 1,7 bilhão em títulos do governo norte-americano em liquidação e mais R$ 9 bilhões em garantias adicionais.

A PF buscava confrontar as informações de Vorcaro e Costa sobre o processo de substituição das carteiras de crédito consideradas falsas. Após o BC apontar inconsistências nas carteiras adquiridas pelo BRB, o Master ofereceu ao banco estatal do Distrito Federal a possibilidade de substituir esse investimento por outros ativos da instituição.

A Polícia Federal suspeita, contudo, que o potencial prejuízo ao BRB possa ser maior, pois cerca de R$ 5 bilhões em ativos do Master oferecidos ao BRB não possuem liquidez. No entanto, Costa teria argumentado que esses outros ativos podem ser desenvolvidos ou vendidos, gerando resultado, já que foram trocados com deságio de 30%.

Em nota, o advogado de Costa, Cléber Lopes, afirmou que “não houve contradições” entre os depoimentos e que se tratam de “percepções distintas sobre os mesmos fatos”.

“A acareação realizada foi breve e suficiente para esclarecer essas diferenças. Paulo Henrique Costa foi ouvido por mais de duas horas, respondeu a todos os questionamentos e sempre destacou que sua atuação se deu no âmbito de decisões técnicas, colegiadas e formalmente documentadas, indicando os registros que comprovam a correção e a regularidade de sua atuação como presidente do banco BRB”, afirmou.