Esportes
Assembleia no Corinthians decide sobre reeleição de Stábile e voto para sócio-torcedor
Sócios votarão reformas importantes no estatuto do clube neste sábado.
Após audiências públicas, discussões no Conselho Deliberativo e ações judiciais, o Corinthians realizará neste sábado, 19, a Assembleia Geral Extraordinária que permitirá aos associados deliberar sobre pontos cruciais da reforma do estatuto do clube. A votação acontecerá entre 9h e 17h, na sede social, localizada no Parque São Jorge, na zona leste da capital.
Os associados poderão aprovar, reprovar ou se abster em relação a 11 temas. Entre os pontos mais relevantes estão a abertura do voto em eleições do clube para membros do programa Fiel Torcedor (sócio-torcedor) e a definição das regras para a interinidade em casos de vacância e transição, o que pode permitir que o presidente Osmar Stábile dispute a reeleição neste ano.
O presidente Osmar Stábile ainda não se decidiu sobre sua candidatura à presidência do Corinthians no fim do ano. Embora ele considere sua reeleição legítima, a interpretação do estatuto ainda gera confusão. O parágrafo 2º do artigo 103 proíbe reeleição para a presidência, o que, em tese, impediria uma nova candidatura.
No entanto, o parágrafo 4º prevê que quando um dirigente assume o cargo após uma vacância — ou seja, a saída antecipada do presidente eleito —, ele pode concorrer na eleição seguinte desde que tenha permanecido no cargo por até 18 meses.
A interpretação desse prazo é o que gera divergências nos bastidores do Parque São Jorge. A controvérsia é se os 18 meses incluem o período em que o dirigente atuou como presidente interino ou se a contagem começa apenas a partir da posse definitiva. Stábile assumiu a presidência em maio de 2025, após o impeachment de Augusto Melo, sendo aclamado para cumprir um mandato-tampão em agosto.
O projeto da reforma do estatuto, finalizado no fim de fevereiro deste ano, estabelece em seu artigo 67-A que um dirigente que assume um cargo eletivo após vacância não fica automaticamente impedido de disputar a eleição seguinte, fixando um limite de 12 meses antes da nova eleição.
No caso de Osmar Stábile, que ultrapassará esse período até a realização das eleições, sua candidatura poderá ser dificultada. Entretanto, uma disposição transitória do texto, o artigo 142-C, prevê que essa limitação não se aplica a vacâncias ocorridas antes da aprovação do novo Estatuto, o que, na prática, abriria caminho para que ele pudesse se candidatar novamente.
VEJA OS TEMAS QUE SERÃO VOTADOS NA ASSEMBLEIA
Voto ao Fiel Torcedor: direito de voto para associados do plano de futebol.
Reeleição e transição: permissão para que o atual presidente se candidate à reeleição.
Eleições em dois turnos: adoção de segundo turno para escolha de presidente e vice-presidentes.
Redução do Conselho Deliberativo: 200 membros, sendo 150 eleitos e 50 vitalícios.
Eleição para o Conselho Deliberativo: candidaturas individuais, com cada associado podendo votar em até cinco nomes.
Carência para votar: redução para três anos.
Conselho de Ética: mudanças na composição e escolha dos membros.
Conselho de Orientação (Cori): limitação dos membros natos aos cinco ex-presidentes mais recentes da diretoria e do Conselho Deliberativo.
Transparência financeira: balancetes com prestação de contas trimestral.
Orçamento do Conselho Deliberativo: diretoria passa a ser responsável pelas demandas orçamentárias do Conselho Deliberativo.
AÇÃO NA JUSTIÇA
Em abril deste ano, parte dos conselheiros e membros da oposição rejeitaram o texto-base da reforma estatutária por 93 a 60. Em uma tramitação comum, essa reprovação significaria o engavetamento definitivo do projeto; porém, o grupo da situação manobrou o regimento interno para que os pontos da reforma fossem votados individualmente. Nessa segunda fase, os itens principais ganharam o apoio da maioria, sendo aprovados por 79 votos a favor e 57 contra.
Conselheiros da oposição, liderados por nomes influentes como Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, acionaram a Justiça sob a alegação de que a votação dos destaques feria o próprio regimento do clube, uma vez que a proposta completa já havia sido rejeitada previamente. Eles sustentavam que a diretoria tentava contornar decisões que haviam suspendido uma tentativa anterior de Assembleia, marcada para junho.
No dia 11 de setembro, o juiz Rafael Viotti Schlobach, da 3ª Vara Cível do Tatuapé, validou a votação por tópicos específicos como um procedimento legítimo dentro das prerrogativas do Conselho Deliberativo e, por isso, manteve a autorização para a realização da Assembleia neste sábado.
O magistrado determinou expressamente a proibição da presidência ou da mesa diretora do Conselho Deliberativo de realizar qualquer alteração, acréscimo ou modificação de última hora nas propostas ou nas cédulas de votação apresentadas aos sócios.
Mais lidas
-
1POLÍTICA
Gilmar Mendes envia advogado de confiança para falar com Flávio Bolsonaro
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3MILITAR
Na região de Carcóvia estão cercados cerca de 1,7 mil militares do Exército ucraniano, diz MD da Rússia
-
4ESPORTE
Luta nascida na União Soviética ganha o Ocidente; modalidade mistura judô, jiu-jitsu e wrestling
-
5TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
IT Forum abre edição de 35 anos com aposta em ecossistemas como nova força da inovação