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Magnetar extremo revela que o vazio do espaço não é tão vazio assim, afirma estudo

Novas evidências de birrefringência do vácuo foram observadas.

Sputnik Brasil 16/08/2026
Magnetar extremo revela que o vazio do espaço não é tão vazio assim, afirma estudo
Cientistas utilizam o IXPE da NASA para estudar o magnetar 1E 1547-5408. - Foto: © Foto / ESA

Campos magnéticos extremos de um magnetar revelaram sinais inéditos de birrefringência do vácuo, efeito previsto há 90 anos, mostrando que o espaço "vazio" altera a forma como a luz se propaga. Observações do IXPE detectaram polarização três vezes maior que a esperada, a evidência mais forte já obtida do fenômeno.

Uma equipe de pesquisa apresentou evidências inéditas de que campos magnéticos extremos podem alterar as propriedades do vácuo, fazendo com que o espaço aparentemente vazio mude a forma como a luz se propaga.

De acordo com o estudo, sinais analisados de um magnetar reforçaram uma previsão teórica feita há quase 90 anos, segundo a qual o vácuo é permeado por partículas virtuais que interagem brevemente com o ambiente.

A ideia remonta a 1936, quando Heisenberg e Euler propuseram que o espaço nunca é totalmente vazio, mas preenchido por elétrons e pósitrons que surgem e desaparecem. Em condições normais, essa "espuma quântica" é invisível, mas campos magnéticos extremamente fortes podem reorganizar as ondas de luz, produzindo o fenômeno conhecido como birrefringência do vácuo.

Cientistas que utilizaram o IXPE da NASA realizaram mais de 140 horas de observações do magnetar 1E 1547-5408, mostrado nesta ilustração artística de 5 de agosto de 2026, entre março e abril de 2025
Cientistas que utilizaram o IXPE da NASA realizaram mais de 140 horas de observações do magnetar 1E 1547-5408.

Magnetars, remanescentes ultradensos de estrelas massivas, possuem os campos magnéticos mais intensos do Universo e funcionam como laboratórios naturais para testar efeitos impossíveis de reproduzir na Terra. Com o lançamento do telescópio espacial IXPE em 2021, tornou-se possível medir a polarização de raios X em torno desses objetos com precisão inédita.

Em 2025, os pesquisadores observaram o magnetar 1E 1547-5408 usando o IXPE, complementando os dados com telescópios de rádio e raios X na Terra e na Estação Espacial Internacional (EEI). Os raios X detectados estavam quase três vezes mais polarizados do que o esperado e alinhados com o campo magnético da estrela, coincidindo com o padrão observado em suas emissões de rádio.

Representação artística do observatório IXPE no espaço
Representação artística do observatório IXPE no espaço.

Essa combinação de sinais deixou a birrefringência do vácuo como a única explicação plausível, oferecendo a confirmação mais robusta já obtida do efeito previsto por Heisenberg. Para os cientistas, o resultado reforça que os modelos fundamentais da física continuam válidos mesmo sob condições extremas.

A descoberta também fecha um ciclo de duas décadas de observações do magnetar, iniciado quando suas ondas de rádio foram detectadas pela primeira vez em 2007. O objeto, então apenas o segundo magnetar conhecido por emitir rádio, tornou-se peça central na investigação de uma das previsões mais peculiares da mecânica quântica.

Os pesquisadores esperam consolidar a evidência com futuras missões, como o proposto observatório orbital GoSOX, além de simulações mais refinadas que permitam distinguir o sinal quântico de outros processos astrofísicos. Para a equipe, esses dados podem finalmente concluir uma busca iniciada há quase um século.