Esportes
Pedido de Trump à Fifa teve precedente no Brasil de Jango, quando governo atuou para liberar Garrincha em 1962
Balogun foi autorizado a enfrentar a Bélgica após intervenção do presidente dos EUA; há 64 anos, Garrincha também escapou de punição antes da final da Copa, mas o desfecho brasileiro foi o título, enquanto os americanos caíram goleados por 4 a 1
O pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a Fifa revisasse a expulsão do atacante Folarin Balogun não nasceu como uma tentativa declarada de repetir a história brasileira de 1962. Trump não citou João Goulart, Tancredo Neves ou Garrincha. Mas o episódio abriu uma comparação inevitável com um dos casos mais famosos de bastidor em Copas do Mundo: a liberação de Mané Garrincha para disputar a final contra a Tchecoslováquia, no Chile.
Em 2026, Trump admitiu que pediu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a revisão do cartão vermelho aplicado a Balogun na partida dos Estados Unidos contra a Bósnia. Segundo a Reuters, o presidente americano afirmou que apenas solicitou uma análise do lance, por entender que não houve falta, e negou ter pressionado a entidade a mudar a decisão.
A Fifa acabou suspendendo a punição automática de Balogun, permitindo que o atacante entrasse em campo contra a Bélgica pelas oitavas de final da Copa. A decisão causou reação da federação belga, que tentou contestar a escalação do jogador, mas não conseguiu impedir sua participação.
O caso, porém, terminou dentro de campo de forma humilhante para os donos da casa. A Bélgica goleou os Estados Unidos por 4 a 1, eliminou a seleção americana e avançou às quartas de final. O meia Nicolas Raskin, da Bélgica, chegou a dizer depois da partida que havia “justiça na vida”, em referência à polêmica envolvendo Balogun.
A história trouxe à memória o precedente brasileiro de 1962. Na semifinal da Copa do Chile, Garrincha foi expulso contra os donos da casa, em jogo vencido pelo Brasil por 4 a 2. O craque era o grande nome daquela Seleção, especialmente depois da lesão de Pelé. Sem ele, o Brasil iria para a final contra a Tchecoslováquia desfalcado de seus dois maiores astros.
Naquele tempo, o cartão vermelho ainda não existia como hoje — a expulsão era determinada verbalmente pelo árbitro. Também não havia a mesma regra atual de suspensão automática. O jogador expulso era submetido a julgamento para definição da punição. Segundo a CNN Brasil, Garrincha foi absolvido pelo tribunal da Fifa por 4 votos a 3 e pôde disputar a final. Nos bastidores, a absolvição foi influenciada por telegrama do então primeiro-ministro Tancredo Neves, chefe de governo no período parlamentarista de João Goulart.
Outros registros históricos apontam que a pressão brasileira teve participação do governo de Jango, por meio de Tancredo, e também contou com movimentações da antiga CBD. O UOL, ao relembrar o caso, registrou que a Fifa cedeu após pressões do Brasil e do então primeiro-ministro Tancredo Neves, do governo João Goulart.
A diferença entre os dois episódios está no resultado. Em 1962, Garrincha entrou em campo mesmo debilitado, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1 e conquistou o bicampeonato mundial. O caso acabou engolido pela glória da taça.
Ontem (06), Balogun também conseguiu jogar depois da intervenção política. Mas, ao contrário de Garrincha, não foi protagonista de uma façanha. A Bélgica transformou o alívio americano em vexame esportivo: goleou por 4 a 1, eliminou os Estados Unidos e encerrou a campanha do último país anfitrião que ainda seguia vivo na Copa.
O gesto de Trump, mesmo sem referência ao Brasil, encontrou precedente histórico no caso Garrincha, quando o governo brasileiro de João Goulart, por meio de Tancredo Neves, atuou nos bastidores para que o maior craque da Copa de 1962 pudesse disputar a final.
No Brasil, o bastidor virou título mundial. Nos Estados Unidos, virou eliminação, goleada e constrangimento.
Mais lidas
-
1ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
2LOTERIAS
Horário da Quina de São João: veja como acompanhar o resultado
-
3ORGULHO PALMEIRENSE
Professor de Palmeira dos Índios é aprovado em curso nacional de elite do voleibol
-
4FENÔMENO NATURAL
Céu 'pega fogo' em Caracas: fenômeno raro pinta a Venezuela de vermelho
-
5ARAPIRACA
Governo de Alagoas autoriza início de obras de acesso às Vilas São José e Aparecida, em Arapiraca