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Estrela do atletismo é pódio nos Jogos Parasul-Americanos no ciclismo

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Agência Brasil 02/07/2026
Estrela do atletismo é pódio nos Jogos Parasul-Americanos no ciclismo
Jerusa Geber conquista a medalha de prata no ciclismo nos Jogos Parasul-Americanos.

O Brasil iniciou a sua trajetória nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, nesta quinta-feira (2). A emissora pública Señal Colombia transmite o evento ao vivo no YouTube. O país conquistou sete medalhas - quatro ouros e três pratas - nas provas de contrarrelógio do ciclismo, nas quais vence o atleta que finalizar o percurso no menor tempo.

Uma das medalhistas foi Jerusa Geber, que conquistou a prata na classe B (deficiência visual). Ligada ao ciclismo desde o fim de 2024, a acreana de 44 anos é uma estrela paralímpica do atletismo, sendo tetracampeã mundial nos 100 metros (m) e a primeira atleta cega a percorrê-los em menos de 12 segundos. Além disso, ela garantiu dois ouros na Paralimpíada de Paris (França), realizada há dois anos, nas distâncias de 100 e 200 m.

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Jerusa, que teve a paulista Marcella Toldi como pilota (guia da ciclista com deficiência visual), completou a prova desta quinta-feira em 27min55s23, sendo superada apenas por outra brasileira, a fluminense Viviane Soares, campeã com o tempo de 26min46s41. A argentina Maria Jose Quiroga (29min13s73) completou o pódio do contrarrelógio.

"Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias", disse a acreana em depoimento à comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Viviane, que ficou com o ouro na disputa para atletas com deficiência visual junto à paulista Lara Marinho como pilota, também se divide entre os esportes. A fluminense de 30 anos, que foi medalhista de bronze nos 100 m da classe T12 (baixa visão) no Campeonato Mundial de Atletismo de 2019, planejava encerrar a carreira em 2025, até que foi apresentada ao ciclismo.

“Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final", celebrou Viviane, também à assessoria de imprensa do CPB.

Mais pódios

O Brasil também subiu ao pódio em mais cinco categorias. O paulista Lauro Chaman venceu a disputa masculina da classe C5 (atletas com deficiências físico-motoras leves ou amputações), com um tempo de 34min30s81, superando os colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez. Entre as mulheres, a mineira Fabiana Ventura ficou com a prata, com 32min08s15, atrás da colombiana Paula Ossa, mas à frente da panamenha Laydis Veja.

Na classe C2 (comprometimento físico-motor moderado nas pernas, braços ou tronco), o mineiro Roberto Neto conquistou a medalha de ouro entre os homens, com um tempo de 26min00s68, superando o colombiano Esneider Muñoz e o chileno Manuel Opazo. No feminino, Sabrina Custódia garantiu a prata, com 15min40s07, 1min42s atrás da colombiana Daniela Munévar, enquanto o bronze ficou com a argentina Maria Sergo.

No que diz respeito à classe H3 (atletas que utilizam bicicletas impulsionadas com as mãos, as handbikes), o mineiro Eduardo Pimenta venceu a prova, registrando 28min41s49, com o pódio sendo completado pelo argentino Oscar Biga (prata) e o chileno Sebastian Morales (bronze).

Evento continental

O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos com 237 representantes em 13 modalidades, incluindo quatro atletas-guia (atletismo) e quatro pilotos (ciclismo) para auxiliar competidores com deficiência visual, além de dois goleiros de futebol de cegos e dois calheiros, que atuam com os atletas da bocha.

A competição ocorrerá até 15 de julho, e apesar de já ter começado, a cerimônia de abertura está marcada para este domingo (5). O Brasil será representado pela halterofilista paulista Mariana D’Andrea, bicampeã paralímpica, e pelo mesatenista goiano Iranildo Espíndola, que serão os porta-bandeiras.

Este é o primeiro evento multimodalidade com participação brasileira antes dos Jogos de Los Angeles (Estados Unidos), em 2028. A delegação que viajou para a Colômbia conta com 50 medalhistas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em Paralimpíadas.

Esta é a segunda edição do Parasul. A primeira foi realizada em Santiago (Chile), em 2014, quando o Brasil ficou em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás da Argentina. Os hermanos tinham a intenção de sediar a disputa em 2018, em Buenos Aires, mas o evento foi cancelado devido a questões financeiras.