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Lenda Mike Tyson supera derrotas dentro e fora dos ringues para alcançar 60 anos

Estadao Conteudo 30/06/2026
Lenda Mike Tyson supera derrotas dentro e fora dos ringues para alcançar 60 anos
Mike Tyson - Foto: Reprodução

Uma infância triste com o pai ausente e a mãe alcoólatra. Uma adolescência violenta repleta de prisões e contato com o mundo do crime. O início no boxe apadrinhado por um mestre da modalidade que o adotou como um filho. Vitórias fulminantes, título mundial imediato, queda, condenação por estupro, retorno, novas conquistas e derrotas dentro e fora do ringue, drogas, morte da filha, 'fundo do poço' e novo ressurgimento com cinema, teatro e televisão. A lenda Mike Tyson atinge inesperados 60 anos.

Quando Tyson ganhou o título mundial pela primeira vez em novembro de 1986 fez uma previsão: "Sou o campeão mundial mais novo e serei o mais velho, mas não sei se viverei muito tempo." Dono do cinturão do Conselho Mundial de Boxe aos 20 anos, 4 meses e 22 dias, o "Iron Man" não se tornou o campeão mais velho, mas atingiu uma idade que nunca imaginou atingir por causa da 'louca' rotina diária.

Tyson atinge a velhice graças à ajuda da mulher Lakiha Spicer e a convivência com os três filhos menores, que o ajudaram a superar os problemas e desenvolver uma carreira na TV, na internet, no teatro e até no cinema.

Antes de largar o boxe, Tyson colocou seu nome entre os maiores pugilistas de todos os tempos. Era pequeno para peso pesado (1,81 metro de altura), mas com uma rapidez de peso leve. Acumulou 28 vitórias, com 26 nocautes, para ser campeão mundial. Assombrou o mundo até 1990, quando se apresentou fora de forma para perder para James Buster Douglas na maior zebra do boxe em todos os tempos. As apostas eram 42-1 a favor de Tyson.

Em 1992, quando se preparava para retomar os cinturões, foi acusado e condenado por estupro da modelo Desireé Washington, Miss America Negra, em Indiana. Condenado a seis anos de prisão no Indiana Youth Center, fichado com o número 922335, em um dos acontecimentos mais repercutidos da época.

Cumpriu três anos e saiu em liberdade condicional. O lendário Muhammad Ali foi recepcioná-lo em uma mesquita porque ele havia se convertido para o islamismo. Voltou a lutar seis meses depois e foi campeão de novo março de 1996, quando derrotou o inglês Frank Bruno. Voltou a menosprezar seus adversários e perdeu para Evander Holyfield. Em 1997, perdeu a credibilidade ao morder as orelhas do mesmo Holyfield em um dos momentos mais bizarros do esporte.

Tyson pagou US$ 3 milhões de multa (10% de sua bolsa) e teve a licença de boxeador cassada por um ano. Teve mais duas condenações pequenas por brigas no trânsito. Retornou em 1999 e nem Don King estava ao seu lado. Somou uma série de vitórias conturbadas, como a que venceu o ítalo-americano Lou Savarese, ao derrubar o adversário e o juiz no primeiro assalto, em Glasgow, na Escócia. Espancou por dois assaltos o polonês Andrew Golota, mas foi flagrado no exame médico para maconha, em Auburn Hills, Michigan.

Mesmo assim, em 2002, por causa de seu carisma, obteve a chance de desafiar o campeão Lennox Lewis, em Memphis. O pré-luta foi tumultuado, com Tyson causando grande confusão na entrevista coletiva, ao partir para a briga e até morder a perna de Lewis. O acontecimento fez com que uma fila de seguranças fosse colocada em diagonal no ringue para impedir que os dois lutadores se agredissem antes do gongo inicial. Tyson venceu o primeiro assalto, mas, sem preparo físico, apanhou até cair no oitavo round.

Depois disso, Tyson fez a tatuagem no rosto e somou vexames diante de lutadores de terceira categoria até 'pendurar' as luvas em 2005. Em pouco tempo, atingiu os 140 quilos de peso e se afundou nas drogas e na bebida. Em 2009, tomou o maior nocaute de sua vida com a morte de sua filha Exodus, de quatro anos, enforcada na esteira de exercícios em sua casa em Phoenix.

O que poderia ter sido o ponto final na vida de Tyson acabou sendo um novo reinício. Com a companhia inseparável e aconselhadora da mulher Lakiha Spicer, o ex-boxeador mudou a alimentação, perdeu 40 quilos, retomou os exercícios físicos, passou a ser figura carimbada em programas de TV e da internet.

Ganhou um programa semanal no canal Animal Planet sobre corrida de pombos, sua paixão desde a infância, apresentou um monólogo ("Mike Tyson: A verdade indiscutível"), dirigido por Spike Lee, na Broadway, em Nova York, fez parte do elenco do filme "Quando Beber Não Case", além de inúmeros comerciais e eventos por todo o mundo. Como empresário, comprou uma propriedade na Califórnia, onde passou a plantar Cannabis e sua marca gerou US$ 150 milhões em 2023.

Para manter o nome ligado ao boxe e a lenda viva, Tyson não se afasta dos ringues. Em 2020, em plena pandemia, fez uma luta exibição com Roy Jones Jr. Em 2024, lutou contra o youtuber Jake Paul. Agora planeja nova exibição contra Floyd Mayweather.

Como se vê, o Kid Dynamite está longe de sair de cena. O garoto pobre do Brooklyn poderia ter sido o maior boxeador de todos os tempos para muitos se não abandonasse a equipe de Cus DAmato, em 1988, para ficar subordinado às loucuras de Don King. Recentemente, ele disse que sua morte está próxima.

Será que Tyson está indo para o fundo do poço mais uma vez para ressurgir e superar o fracasso com a mesma força que derrubou seus adversários? Vida longa, ao "Homem Mais Malvado do Planeta".