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Ossos de camelo achados na Sérvia revelam rotas comerciais e dietas medievais
Estudo na Fortaleza de Belgrado identifica vestígios raros de camelos híbridos e aponta mudanças no consumo de animais entre os períodos romano e otomano.
Restos de animais encontrados na Fortaleza de Belgrado, na Sérvia, estão ajudando pesquisadores a reconstruir séculos de práticas de criação, comércio e consumo de animais, segundo a revista Archaeology News.
A publicação destaca que o estudo apresenta a primeira análise zooarqueológica dos vestígios localizados na fortaleza. Entre os achados estão ossos de camelo, considerados a evidência física mais antiga de camelos medievais identificada nas regiões central e ocidental dos Bálcãs.
A Fortaleza de Belgrado fica no ponto de confluência dos rios Sava e Danúbio. Por mais de 2 mil anos, o local funcionou como fortificação militar, centro comercial e núcleo político. Durante o período romano, a antiga cidade de Singidunum abrigava a Legio IV Flavia Felix, responsável pela proteção de parte da fronteira do Danúbio.
Segundo a publicação, escavações realizadas nas proximidades do Portão Leste revelaram 271 ossos de animais. A datação por radiocarbono indicou que os vestígios pertenciam ao período romano, entre 20 e 250 d.C., ou ao período medieval tardio, entre 1410 e 1650 d.C.
O conjunto romano era formado principalmente por restos de ovelhas e cabras, que representavam 38,3% do total, além de bovinos, com 33,3%, e suínos, com 23,4%. Muitos desses animais foram abatidos ainda jovens, o que indica que a produção de carne era o principal objetivo.
Já os depósitos mais recentes eram compostos predominantemente por ossos de ovelhas e cabras, que somavam 76,9%. Havia uma presença menor de bovinos, com 11,1%, nenhum osso de suíno e, de modo geral, mais animais adultos. Para os pesquisadores, o padrão sugere uma mudança de foco para a produção de leite, o transporte e o trabalho, possivelmente refletindo normas alimentares do período de domínio otomano.
Vários ossos de camelo foram identificados por análise de proteínas como pertencentes a um camelo híbrido, e não a um dromedário puro ou a um camelo-bactriano. A descoberta fornece evidências diretas de comércio de longa distância e de conexões militares que levaram animais não nativos para os Bálcãs.
Os resultados também evidenciam limitações da identificação osteológica tradicional. Segundo os pesquisadores, camelos híbridos podem ter sido subestimados em coleções analisadas anteriormente. Em conjunto, as descobertas apontam uma mudança significativa na economia animal e nas conexões comerciais da fortaleza ao longo dos séculos.
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