Esportes
Curaçao leva ritmo caribenho para estreia inédita na Copa do Mundo
Menor nação a disputar um Mundial, seleção caribenha estreia contra a Alemanha no Grupo E da Copa de 2026
Quem acompanha a seleção de Curaçao pelas redes sociais sabe que, além da expectativa pela estreia, o grupo também tem mostrado muito gingado. Os jogadores aparecem dançando em treinos, vestiários e deslocamentos — inclusive na pista de desembarque do aeroporto. Menor nação do mundo a participar de uma Copa do Mundo, Curaçao celebra cada momento nos Estados Unidos antes do primeiro jogo no Mundial, marcado para domingo (14), às 14h (horário de Brasília), no Estádio de Houston, nos Estados Unidos.
A Onda Azul, apelido da seleção de Curaçao, terá pela frente na estreia a tetracampeã Alemanha, campeã mundial em 1954, 1974, 1990 e 2014. A equipe alemã chega renovada para a competição, após ter sido eliminada ainda na fase de grupos nas Copas de 2018 e 2022.
A ilha caribenha, com menos de 200 mil habitantes, faz sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Em campo, a missão será difícil. Curaçao está no Grupo E, ao lado de Alemanha, Equador e Costa do Marfim, seleções com mais tradição e histórico de participação em Mundiais.
O elenco carrega a marca da diáspora, com maioria de jogadores nascidos na Holanda, país que integra o Reino dos Países Baixos. O reino é formado por Aruba, Curaçao, São Martinho e Países Baixos, este último conhecido popularmente como Holanda no continente europeu.
Por ser um território autônomo, Curaçao tem autorização da Fifa para manter seleção própria, mesmo sem reconhecimento como Estado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ilha está localizada no Mar do Caribe, pouco acima da Venezuela.
Originalmente, Curaçao era habitada pelo povo Aruaque. Submetidos ao domínio espanhol nos anos 1500, seus integrantes foram deportados para trabalhar em minas e plantações em outras regiões. A Holanda conquistou o território em 1634 e transformou a ilha em um entreposto transatlântico de pessoas negras escravizadas. A localização estratégica no Caribe e a presença de um porto natural favoreciam os planos dos holandeses.
Na época, cerca de 500 mil africanos escravizados por holandeses passaram pela ilha antes de serem enviados para colônias europeias na América Latina.
Em março de 2026, o tráfico transatlântico de africanos escravizados foi considerado o mais grave crime contra a humanidade já cometido. A resolução foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU, apesar dos votos contrários de Estados Unidos, Israel e Argentina.
O texto também estabeleceu que os Estados-membros da ONU devem considerar a apresentação de desculpas formais e contribuir para um fundo destinado à reparação do legado duradouro da escravidão no mundo.
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