Esportes
Fenaj denuncia constrangimento a jornalistas na Copa do Mundo nos EUA
Entidade relata casos de discriminação, restrições à circulação e obstáculos ao trabalho da imprensa durante a competição
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifestou preocupação com relatos de profissionais de imprensa que atuam na cobertura da Copa do Mundo de 2026. Segundo a entidade, jornalistas afirmam ter enfrentado episódios de constrangimento, restrições à circulação e dificuldades para exercer a atividade profissional nos Estados Unidos, uma das sedes do torneio, ao lado de México e Canadá.
Em nota assinada pela Comissão de Mulheres Jornalistas e pela Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Social (Conajira), a Fenaj destacou como um dos casos mais graves o da jornalista Karine Alves, da TV Globo.
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De acordo com relato compartilhado pela profissional, ela foi retirada da fila regular da imigração ao ingressar nos EUA, tratada de forma ríspida por agentes e submetida à revista no cabelo. Karine afirmou que o procedimento teria sido direcionado apenas a pessoas negras que chegavam ao país.
Para a Fenaj, o episódio representa tratamento racista e xenófobo e se soma a outros relatos envolvendo profissionais de imprensa e torcedores que acompanham a competição.
A entidade também citou o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, que foi impedido de ingressar nos Estados Unidos para participar do torneio.
Além dos episódios registrados em postos de imigração, jornalistas relataram obstáculos à cobertura esportiva, incluindo restrições de circulação em espaços utilizados pelas seleções durante os treinamentos.
Diante do cenário, a Fenaj informou que defenderá, no âmbito da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o encaminhamento de um documento à Federação Internacional de Futebol (Fifa), para que a entidade assegure condições adequadas de trabalho aos profissionais credenciados para atuar nas competições.
Entre as propostas estão a garantia de condições de trabalho seguras e livres de discriminação para todas as nacionalidades; a criação de mecanismos independentes para recebimento e apuração de denúncias de assédio, violência e discriminação; a adoção de protocolos específicos de proteção para mulheres jornalistas; e o compromisso dos países anfitriões com a liberdade de imprensa, a liberdade de circulação e a independência profissional dos trabalhadores da comunicação.
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