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Terra atravessa 'nuvem de supernovas' e poeira estelar é encontrada no gelo antártico

Isótopos raros de ferro, vindos de explosões estelares, revelam que Sistema Solar cruza nuvem interestelar há pelo menos 80 mil anos

11/05/2026
Terra atravessa 'nuvem de supernovas' e poeira estelar é encontrada no gelo antártico
Registro de poeira estelar de supernovas é identificado no gelo antártico após 80 mil anos. - Foto: © Foto / Alfred Wegener Institute/Esther Horvath

A presença de um isótopo radioativo de ferro (ferro‑60) preservado no gelo da Antártida indica que o Sistema Solar atravessa, há pelo menos 80 mil anos, uma nuvem interestelar formada por antigas supernovas. Isso deixa no planeta um registro raro da trajetória da Terra pela vizinhança galáctica.

A Terra e o Sistema Solar não permanecem estáticos no espaço: ambos realizam uma órbita lenta ao redor do centro da Via Láctea, cruzando regiões cuja história é difícil de reconstruir. Agora, evidências descobertas no gelo antártico fornecem pistas sobre esse percurso cósmico, revelando marcas deixadas por explosões estelares do passado.

Uma equipe liderada por Dominik Koll acordos, sem gelo, isótopos raros de ferro que servem como rastros de passagem do Sistema Solar por uma nuvem interestelar transportada de poeira de supernova. Esses detritos, oriundos de estrelas que explodiram há milhões de anos, ficaram aprisionados no gelo, camada após camada, ao longo de dezenas de milhares de anos.

De acordo com os pesquisadores, a Antártida funciona como um arquivo natural da atmosfera terrestre, já que a neve que cai há 35 milhões de anos captura partículas do ar e as preservadas em camadas sucessivas e comprimidas. Ao perfurar esse registro vertical, os cientistas fornecem informações sobre mudanças ambientais e até mesmo vestígios de eventos cósmicos que atingiram o planeta.

Em 2019, a equipe de Koll já havia encontrado ferro‑60 em neve recente. Agora, o mesmo isótopo foi detectado em núcleos de gelo com idades entre 40 mil e 81 mil anos. Como o ferro‑60 só se forma em condições extremas, como as supernovas, e sua meia‑vida é curta em termos geológicos, qualquer quantidade bloqueada atualmente precisa ter origem interessante.

A presença desse material em sedimentos oceânicos e na neve moderna já sugere que o Sistema Solar atravesse uma região enriquecida por supernovas. Uma nova detecção no gelo antiga reforça essas hipóteses, indicando que a passagem por essa nuvem não é recente, mas contínua há dezenas de milhares de anos.

Para medir o isótopo, os cientistas analisaram 295 quilos de gelo do projeto EPICA, derretendo as amostras e contando os raríssimos átomos de ferro‑60. As concentrações superam o que seria produzido por raios cósmicos, fortalecendo a hipótese da origem interessante do material.

O dado mais intrigante é que o gelo antigo contém menos ferro‑60 do que a neve atual. Isso sugere que o Sistema Solar entrou primeiro em uma região mais rara da Nuvem Interestelar Local e, posteriormente, em uma parte mais densa — onde permanece atualmente. O gelo antártico, portanto, registra uma estrutura interna dessa nuvem, apontando variações na quantidade de poeira enriquecida por supernovas.

As instruções demonstram que a Nuvem Interestelar Local funciona como um arquivo cósmico de ferro‑60, permitindo rastrear a evolução do ambiente interestelar nos últimos 80 mil anos. Para os autores, esse registro preservado no gelo terrestre abre uma janela rara para compreender a história recente da atmosfera galáctica e a interação contínua entre o Sistema Solar e os restos de estrelas explodidas.

Por Sputnik Brasil