Esportes
Copa, eleição e feriados derrubam o mercado imobiliário? Dados mostram outra realidade
Sempre que o calendário brasileiro combina grandes eventos, como eleições presidenciais, Copa do Mundo ou períodos prolongados de feriados, surge uma dúvida recorrente no mercado imobiliário: será que as vendas vão desacelerar?
A preocupação costuma ganhar espaço no início desses anos considerados “barulhentos” do ponto de vista político e social. Mas uma análise dos ciclos recentes do setor mostra que a realidade do mercado imobiliário brasileiro tende a seguir uma lógica diferente.
Em 2020, por exemplo, mesmo em meio à pandemia, o mercado de imóveis novos registrou crescimento nas vendas em várias regiões do país. Já em 2021, o crédito imobiliário atingiu um recorde histórico, ultrapassando R$ 255 bilhões em financiamentos, impulsionando o setor em praticamente todo o território nacional.
Mesmo em anos marcados por eleições e grandes eventos esportivos, o desempenho do mercado não costuma acompanhar o clima de incerteza que domina outras áreas da economia. Em 2018, ano de eleição presidencial, as vendas de imóveis residenciais cresceram cerca de 19% em relação ao ano anterior. Já em 2022, também marcado por eleições e pela Copa do Mundo, o crédito imobiliário somou aproximadamente R$ 241 bilhões, o segundo maior volume da série histórica.
Para Andressa Machado, especialista em estruturação de equipes de vendas no mercado imobiliário, esse comportamento acontece porque o setor responde muito mais a fatores estruturais do que ao calendário político ou esportivo.
“O mercado imobiliário não é movido por Copa do Mundo, feriado ou eleição. Ele responde a fatores estruturais como demanda por moradia, crédito disponível, renda e formação de patrimônio”, afirma.
Segundo ela, dois movimentos sustentam o mercado brasileiro de forma consistente ao longo dos anos. O primeiro é a demanda por moradia, impulsionada pelo crescimento das cidades, pela formação de novas famílias e pelo déficit habitacional ainda presente no país. O segundo é o aumento da busca por imóveis como ativo de investimento e proteção patrimonial.
“O Brasil tem uma demanda estrutural por moradia que existe todos os anos. Ao mesmo tempo, cresce a procura por imóveis como forma de preservar patrimônio e diversificar investimentos”, explica.
Outro fator que ajuda a explicar a resiliência do setor é o fato de que o mercado imobiliário brasileiro funciona como vários mercados simultâneos, com dinâmicas regionais e nichos diferentes operando ao mesmo tempo.
“Enquanto um segmento pode passar por ajustes, outros continuam crescendo. Por isso, o que costuma fazer diferença nos resultados não é o calendário, mas a capacidade das empresas de interpretar dados, entender nichos de mercado e preparar suas equipes de vendas”, diz.
Na avaliação da especialista, anos marcados por maior ruído no ambiente econômico ou político tendem a favorecer justamente empresas e profissionais mais preparados, capazes de identificar oportunidades em diferentes segmentos do mercado.
“Mais do que um ano de retração, esses períodos costumam ser anos de maturação do mercado. Quem consegue ler os dados e se posicionar bem continua vendendo e, muitas vezes, ganha espaço”, conclui Andressa.
Mais lidas
-
1ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
2LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
3PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados
-
4DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
5DESFALQUES NO RUBRO-NEGRO
Flamengo confirma lesão de Cebolinha na costela e perde Pulgar por problema muscular