Esportes
Botafogo admite negociações com novos investidores após frustração com Textor
Clube carioca revela insatisfação com gestão de John Textor e busca alternativas para o futuro da SAF
A disputa judicial entre o Botafogo e John Textor, gestor da SAF do clube, ganhou novo capítulo nesta segunda-feira (10). Em nota oficial, o clube carioca admitiu que mantém "conversas potenciais" com novos investidores para a parceria e indicou que deve recusar novos aportes do norte-americano após se decepcionar com sua recente falta de compromisso.
"Quando da aprovação da constituição da SAF Botafogo, o Botafogo de Futebol e Regatas partiu do pressuposto de que seus parceiros atuariam com nível de compromisso, diligência e alinhamento necessários à relevância e à história do clube. É legítimo afirmar que o cenário hoje observado está aquém dessas expectativas", declarou o clube, demonstrando insatisfação.
Após sucessivos votos de confiança à gestão de John Textor e em meio a uma grave crise financeira — agravada por manobras administrativas que não têm surtido efeito, como o recente transfer ban —, a diretoria do Botafogo decidiu adotar uma postura mais rígida diante dos descumprimentos do investidor.
"Diante disso, o Botafogo estruturou, com apoio de assessores financeiros e jurídicos especialistas, uma atuação consistente na avaliação de alternativas e possíveis caminhos para a SAF Botafogo. O clube mantém diálogo com diferentes agentes do mercado, incluindo potenciais investidores e parceiros estratégicos interessados em contribuir para o futuro do Botafogo", afirmou a nota, deixando clara a insatisfação com a condução atual da SAF.
O comunicado também destaca que, embora o clube estivesse inicialmente alinhado com Textor, o investidor deixou de cumprir compromissos firmados no início da parceria. Além do transfer ban, o Botafogo precisou recorrer a empréstimos para inscrever novos jogadores.
"O Botafogo de Futebol e Regatas tem acompanhado de forma atenta, diligente e permanente o extenso litígio envolvendo sócios da Eagle Holding, que atualmente se estende por diferentes países e jurisdições. Ao longo de todo esse processo, o Botafogo, por meio de seu Conselho Diretor, optou por manter uma postura de silêncio público, com o objetivo de preservar a instituição, a estabilidade da SAF Botafogo e a imagem do clube perante seus torcedores, parceiros e o mercado", diz o comunicado.
"Esse silêncio, no entanto, jamais significou inércia. Na qualidade de acionista da SAF Botafogo, o Botafogo de Futebol e Regatas tem atuado de forma ativa e diligente. Ao longo dos últimos meses, foram realizadas diversas reuniões com os principais envolvidos nesse contexto, incluindo o sr. John Textor, bem como outros sócios e partes relacionadas", acrescentou o clube.
Segundo o Botafogo, a SAF não vem cumprindo as obrigações previstas no Acordo de Acionistas, o que tem gerado apreensão diante do aumento das dívidas e do não pagamento dos compromissos financeiros.
"Foram inúmeras conversas, algumas mais simples, outras mais desafiadoras, sempre conduzidas com o mesmo objetivo: preservar a entidade Botafogo e construir, de forma consistente, um futuro a longo prazo para o clube. Paralelamente, e no exercício de seus direitos como acionista, o Botafogo encaminhou, ao longo desse período, diversas notificações formais à SAF Botafogo, tanto para solicitações de informações quanto para tratar de pontos relacionados ao cumprimento do Acordo de Acionistas", concluiu a nota.
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