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'Janela tremia', diz ex-São Paulo após rescindir com clube ucraniano por causa da guerra

10/04/2026
'Janela tremia', diz ex-São Paulo após rescindir com clube ucraniano por causa da guerra
Talles Costa - Foto: Reprodução / Instagram

O meia Talles Costa, formado nas categorias de base do São Paulo, deixou o Brasil em 2023, rumo à Ucrânia. Com sua esposa grávida, a decisão foi difícil, mas as promessas de estrutura foram convencidas.

A cidade Zhytomyr, em que jogava pelo clube Polissya, não era o ponto central da guerra, mas estando a 140km da capital Kiev era possível ouvir os acontecimentos.

"Teve um período na cidade que a gente começou a ouvir gritos. Como a capital fica a uma hora e meia daqui, passam drones, shahed, mísseis balísticos aqui em cima, sabe? Escutava o barulho. Já atacaram uma usina de eletricidade a uma milha daqui. Estava tomando café no clube e escutei, do nada minha esposa liga falando que explodiu ali do lado e tal. Aquele nervosismo. O clube adiou o treino e falou para as famílias que queriam ir para o clube porque era mais seguro. Passamos três dias no clube até tudo se divertido", contou o jogador ao ge.

As noites de sono eram difíceis, com os ataques da madrugada era necessário ficar atento a grupos que avisavam onde as explosões aconteciam.

"Eu ia dormir e minha esposa ficou de olho no grupo de Telegram que avisava qual cidade estava sendo atacada, pra onde estavam indo os mísseis. Às vezes, ela me acordava falando que tinha que descer. Às vezes escutava algo, janela tremia. A gente descia e ficou no primeiro andar, que é o que eles aconselham. Se eu te falar que caiu um míssil aqui do lado, foi só aquela vez, a cidade é até tranquila comparada às outras, mas para gente que vem de fora, assusta."

Com mais experiência, o tempo tinha bunker e alertas para avisar os jogadores. “O bunker do clube, eu diria que é o vestiário, na verdade, porque ele fica embaixo.

Com um filho de dois anos, Talles viu que o que prometeu para ele não estava sendo cumprido, o que deixou a família com medo. "Passaram muita segurança pra gente. Eu vi a estrutura do clube. Sempre deixei claro essa questão familiar, da minha esposa grávida. Foi muito difícil para a gente, porque viemos com uma expectativa de que seria exatamente como foi combinado, só que não foi. Foi combinado que eu teria todo o suporte necessário aqui para que ela ganhasse o meu filho aqui. O clube tem uma estrutura muito boa, mas eles ainda não tinham toda essa experiência de como tratar os estrangeiros na parte extracampo."

Cansado de noites mal dormidas e o recebimento diário, a meia decidiu deixar o horário. As conversas foram longas, cerca de duas semanas, mas quando o clube liberou o jogador a janela de transferências já havia encerrado. Agora, Talles precisa esperar até o meio do ano, na próxima janela, para acertar com outro clube.

"Primeiramente, quero um país que não tenha guerra. Isso daí, com certeza. As janelas estão fechadas, não concordai com a forma que aconteceu aqui no clube. Penso em voltar para o Brasil, para a minha família, e manter os trabalhos que eu venho fazendo individualmente, me preparando. E esperando ver qual vai ser esse meu próximo passo."

O mais importante para Talles agora é ficar perto da família, recuperar-se dos aflitos na Ucrânia e treinar enquanto não consegue outro clube.