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Conselheiros do São Paulo pedem expulsão de vitalício investigado no caso da FGoal

24/03/2026
Conselheiros do São Paulo pedem expulsão de vitalício investigado no caso da FGoal
- Foto: Pedro Guedes / São Paulo FC

Os conselheiros encaminharam à Comissão de Ética do São Paulo, nesta terça-feira, 24, uma representação em que pedem a expulsão de Antonio Donizete, o Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social tricolor. No documento, justificam o pedido dizendo que o dirigente protagonizou "condutas incompatíveis com os deveres subjacentes à carga", em referência ao processo milionário que a FGoal move contra o clube, fundamentada em diálogos que mantiveram com o vitalício.

A defesa de Donizete, liderada por Erivaldo Cardoso, diz que ele apenas respondeu a uma notificação formal da FGoal, sem atacar ou defensor em nenhum dos lados, por se tratar de "uma obrigação moral e legal". Ele também diz não ter sido notificado sobre o pedido de expulsão.

Dedé é alvo de inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público que apura irregularidades em São Paulo. Ele é investigado por causa de um áudio no qual fala sobre cobranças em cima de empresas que atuam no clube. Na gravação, diz que a taxa para uma empresa entrar no clube varia de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Depois, fala que é cobrado até 20% do faturamento bruto.

Uma das empresas investigadas é a FGoal, antiga fornecedora de alimentos e bebidas de São Paulo, que está processando o clube para tentar restabelecer o contrato rescindido após a identificação de uma movimentação financeira irregular.

A ação tem como um dos argumentos uma resposta de Dedé à empresa. O ex-diretor já havia dito aqui que sua carga não garantia financeira. No entanto, o texto anexado na ação judicial afirma que ele autorizou a antiga cessionária a descontar valores nos repasses feitos ao clube, com aval da diretoria financeira. Este é o cenário que sustenta o pedido de expulsão protocolado pelos conselheiros.

"Em outras palavras, um conselheiro e ex-dirigente fornece elemento probatório utilizado contra o próprio Clube em demanda judicial milionária. A situação beira o paradoxo. A quem incumbe defender a instituição passa a municiar a parte adversa com argumentos", diz o texto.

O texto também destaca a ausência de contratos formais nas operações financeiras milionárias com o FGoal. A denúncia aponta ainda que as decisões críticas foram tomadas através da transparência de fluxos informais e paralelos, sem a devida perante os órgãos de controle.

A representação é assinada por Antonio Garcia Neto, Carlos Henrique Sadi, Edson Francisco Lapolla, Fabio Giaconi de Brito Machado, Flavio Angerami Marques Junior: Conselheiro Eleito, Joandre Antônio Ferraz, José Alexandre Medicis da Silveira, Miguel Augusto de Sousa, Ricardo Rhormens Alves Natel e Roberto Antonio Kirschner.

ENTENDA A BRIGA ENTRE SÃO PAULO E FGOAL

A empresa havia sido contratada para operar a venda de comida e bebida em jogos no MorumBis em 2023 e passou a atuar também no clube social em 2024. Em fevereiro deste ano, o São Paulo solicita rescisão por justa causa após verificar descontos em repasses da FGoal ao clube.

A cadeia de dinheiro era os seguintes pagamentos: em cartão de alimentos e bebidas no MorumBis ou na praça de alimentação do clube social entravam em uma conta do sistema Zig Pay, controlado pela FGoal. A quantia foi repassada, com um desconto (cuja finalidade era o pagamento de funcionários), ao São Paulo.

A prática teve origem em um acordo verbal, firmado pelo ex-diretor-social de São Paulo, Antônio Donizete, o Dedé. Segundo ele, a diretoria financeira tinha conhecimento sobre isso. O clube nega.

Ainda antes de o São Paulo romper com o FGoal, uma empresa entrou na mira da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga o clube. Um inquérito foi aberto para apurar possíveis desvios feitos na conta vinculada às maquininhas de cartão.

A FGoal existe desde 2019, mas abriu outro CNPJ quando passou a atender São Paulo em 2023. O endereço da nova pessoa jurídica é no MorumBis. A empresa afirma que isso se deu por questões logísticas, para a coleta de mercadorias.

Outras mudanças entre os dois CNPJs, envolvimento do capital e das atividades de cada um. O primeiro, com serviços de marketing, aponta R$ 5 mil, enquanto o segundo, que passa a incluir a operação de venda de comida e bebida, tem o valor de R$ 50 mil.

Na época da contratação, foi justificado que o clube precisasse de um sistema que acabasse com a inadimplência dos restaurantes que estavam no estádio e no clube social. Segundo Dedé, o São Paulo recebeu, em média, R$ 45 mil por mês, dado que aumentou para R$ 160 mil com a implementação do novo sistema.