Esportes

Tifanny está liberada para jogar Copa Brasil de Vôlei após veto de vereadores de Londrina

Ministra Cármen Lúcia concede liminar que garante participação da atleta trans na competição, apesar de lei municipal restritiva

27/02/2026
Tifanny está liberada para jogar Copa Brasil de Vôlei após veto de vereadores de Londrina
Cármen Lúcia, ministra do STF. - Foto: Reprodução

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) obteve êxito em ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e garantiu que a ponteira Tifanny Abreu, do Osasco, pudesse atuar nesta sexta-feira pela Copa Brasil, em Londrina. A atleta entrou em quadra amparada por liminar concedida pela ministra Cármen Lúcia.

A medida foi tomada após requerimento aprovado em regime de urgência pelos vereadores de Londrina, na quinta-feira. O texto, de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PP), solicitava que a Prefeitura impedisse a realização da partida entre Sesc-RJ/Flamengo e Osasco, revogasse autorizações ao clube paulista e aplicasse multa de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

O pedido dos vereadores baseou-se na lei municipal 13.770 de 2024, também proposta por Jéssica, que "proíbe a participação de atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento" em equipes e competições locais.

O requerimento foi apresentado na manhã de quinta-feira e incluído na pauta da Câmara em regime de urgência, tendo como justificativa o jogo do Osasco pela Copa Brasil. O pedido foi aprovado por 12 votos a quatro ao final do dia.

Diante da situação, a CBV recorreu ao STF. A ministra Cármen Lúcia, relatora da liminar, destacou que a lei municipal poderia contrariar precedentes da Corte que garantem proteção a pessoas trans e reconhecem a autonomia das entidades esportivas para definir regras de participação. Ela também apontou riscos de insegurança jurídica e discriminação.

Apesar da decisão do STF não suspender integralmente a lei, neste caso específico, sua aplicação foi afastada, permitindo a participação de atletas trans na Copa Brasil e impedindo multas ou suspensões.

Em nota, o Osasco repudiou a ação dos vereadores: "Tifanny Abreu atua profissionalmente no voleibol nacional há mais de oito anos. É uma atleta exemplar, dedicada e que cumpre rigorosamente todos os requisitos técnicos, médicos e de elegibilidade exigidos pela CBV, órgão máximo que regula a modalidade no País. Ela está, portanto, regularmente inscrita e apta a disputar qualquer competição sob a chancela da CBV", afirmou o clube.

No duelo, Sesc-RJ/Flamengo e Osasco disputaram a primeira semifinal da Copa Brasil, com vitória das paulistas por 3 sets a 0. O ponto final veio em ataque de Tifanny, em que as cariocas tocaram na rede. Minas e Praia Clube decidem o outro finalista.