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Empresa dispensada pelo São Paulo vai à Justiça e cobra R$ 5 milhões por rescisão de contrato

FGoal alega quebra de contrato sem justa causa e pede indenização milionária ao clube paulista

26/02/2026
Empresa dispensada pelo São Paulo vai à Justiça e cobra R$ 5 milhões por rescisão de contrato
- Foto: Pedro Guedes / São Paulo FC

A FGoal ingressou com uma ação judicial contra o São Paulo Futebol Clube, cobrando R$ 5,18 milhões referentes à rescisão de contrato. A empresa foi dispensada pela atual gestão do clube, sob alegação de justa causa, no início deste mês. Procurado pelo Estadão, o São Paulo ainda não respondeu aos pedidos de manifestação da reportagem.

Segundo a FGoal, não há fundamento para a rescisão por justa causa. O valor cobrado envolve lucros que seriam obtidos até 2029, prazo previsto no contrato, além de danos morais e materiais. O processo tramita sob sigilo na 2ª Vara Cível do Butantã.

O São Paulo alega que solicitou a rescisão após identificar descontos nos repasses feitos pela FGoal ao clube. Desde 2023, a empresa é responsável pela venda de alimentos e bebidas no MorumBis e, a partir de 2024, também pela administração da praça de alimentação do clube social.

As compras realizadas por sócios nos restaurantes do clube, pagas por cartão, eram depositadas em uma conta gerida pela FGoal, que posteriormente repassava os valores ao São Paulo. O clube afirma não ter sido informado sobre os descontos aplicados.

Em sua defesa, a FGoal sustenta que os descontos estavam previstos em contrato e se referiam a serviços de TI e fiscalização, para garantir o uso correto das maquininhas de pagamento no clube.

Antes mesmo da rescisão, a FGoal passou a ser investigada por uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura possíveis desvios em contas vinculadas às maquininhas de cartão. Um inquérito foi aberto para investigar o caso.

Além da FGoal, o ex-diretor-geral do clube social, Antônio Donizete, conhecido como Dedé, também é alvo de suspeitas. Ele está sendo investigado após o vazamento de um áudio em que comenta sobre cobranças feitas a empresas que atuam no clube. Na gravação, obtida pelo Estadão, Dedé menciona taxas de R$ 100 mil a R$ 150 mil para empresas ingressarem no clube e cobrança de até 20% do faturamento bruto.

"Isso foi político. Minha saída foi política", afirmou Dedé, negando irregularidades. Em nota, ele explicou: "O sistema de vendas implantado foi baseado em modelos já utilizados por shoppings e outros clubes. Utilizamos a plataforma da Zig, que atende mais de 2 mil clientes no Brasil, incluindo arenas, restaurantes e clubes".

Dedé deixou o cargo pouco após a posse do presidente Harry Massis Júnior, que substituiu Júlio Casares. Ele ressalta que atuava apenas como representante do São Paulo e nunca recebeu valores pelo cargo. Dedé também nega conhecimento sobre os descontos apontados pelo clube nos repasses da FGoal, alegando que tudo era acordado com o departamento financeiro.

Após a divulgação do pedido de rescisão, a FGoal afirmou que a diretora jurídica do clube, Erika Podadera, teria atribuído a decisão a motivos políticos, o que ela nega.

A FGoal, fundada em 2019, abriu um novo CNPJ ao iniciar a prestação de serviço ao São Paulo em 2023, com endereço no MorumBis, alegando questões logísticas para recebimento de mercadorias. O capital social do novo CNPJ é de R$ 50 mil, enquanto o anterior era de R$ 5 mil.