Curiosidades
Morre Duncan Sheik, aos 56 anos, cantor de 'Barely breathing' e compositor de 'Spring awakening'
Artista indicado ao Grammy, e que foi presença constante nas rádios americanas e na MTV ao longo dos anos 1990, também brilhou na Broadway e venceu dois Tony
Duncan Sheik, que marcou os anos 1990 com o hit “Barely breathing” e depois construiu uma carreira premiada no teatro musical, morreu na última quinta-feira (17), aos 56 anos. De acordo com familiares, o artista sofreu uma parada cardíaca e morreu num hospital de Manhattan, em , nos .
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A morte foi confirmada também no perfil oficial do artista no Instagram. Sheik havia sido internado dias antes na cidade. Na ocasião, um representante da família informou apenas que ele estava em estado crítico, porém estável, sem detalhar o problema de saúde.
“É com profunda tristeza que confirmamos a morte de Duncan Sheik”, diz parte da publicação. “O mundo perdeu um talento singular e uma voz profundamente influente na música e no teatro. Do sucesso indicado ao Grammy ‘Barely breathing’ ao trabalho inovador e vencedor dos prêmios Tony e Grammy em 'Spring awakening', a arte de Duncan tocou muitas pessoas e deixa uma marca indelével no cenário cultural.”
Nascido em 18 de novembro de 1969, em Montclair, no estado de Nova Jersey, Duncan Scott Sheik estudou semiótica na Universidade Brown e, ainda na faculdade, tocou guitarra numa banda ao lado de Lisa Loeb. Depois de se formar, mudou-se para Los Angeles e passou a se dedicar à composição e a apresentações, enquanto distribuía gravações feitas de forma independente.
O reconhecimento em escala maior veio em 1996, com seu primeiro álbum, "Duncan Sheik". O disco trazia “Barely breathing”, canção que se tornou presença constante nas rádios e na MTV e rendeu ao músico a já citada indicação ao Grammy.
Sheik ainda lançou álbuns como "Humming", de 1998, e "Phantom moon", de 2001, antes de ampliar sua atuação como compositor. No início dos anos 2000, passou a assinar músicas para o teatro e trilhas para o cinema, entre elas as dos filmes "Uma casa no fim do mundo" (2004) e "Through the fire" (2005).
Foi nos palcos, porém, que alcançou um de seus trabalhos mais celebrados. Em 2006, estreou no circuito Off-Broadway "Spring awakening", musical composto por ele em parceria com o poeta e dramaturgo Steven Sater e inspirado na peça expressionista escrita pelo alemão Frank Wedekind no início do século XX.
A montagem chegou à Broadway e conquistou diversos prêmios Tony. Sheik venceu pelas categorias de melhor trilha sonora original e melhores orquestrações. O espetáculo também ajudou a projetar nomes como Jonathan Groff, Lea Michele e John Gallagher Jr.
Uma nova montagem de "Spring awakening" está prevista para estrear em Nova York ainda este ano, com direção de Danya Taymor. Os ensaios abertos devem começar em 27 de novembro, e a estreia oficial está marcada para 17 de dezembro.
Após a notícia da morte do compositor, a produção publicou uma homenagem: “Duncan Sheik nos deu mais do que música: ele capturou a dor, a esperança, a confusão, a rebeldia e a beleza de crescer. Temos uma dívida com sua arte única numa geração, seu espírito colaborativo e sua amizade, e nos sentimos honrados por estar entre as inúmeras comunidades tocadas por sua vida e seu trabalho. Duncan, nós amamos você. Obrigado.”
Mais estreia em setembro
Outro trabalho recente de Sheik também está prestes a chegar aos palcos. "Memoirs of amorous gentlemen", adaptação de um mangá homônimo, tem apresentações previstas a partir de 25 de setembro, num espaço Off-Broadway no bairro de Chelsea, em Manhattan. A montagem, dirigida e coreografada por Rob Ashford, tem Sophia Anne Caruso no elenco.
Os produtores do espetáculo também lamentaram a morte do compositor. “Estamos devastados com a morte de Duncan Sheik. Nosso carinho está com sua família, seus amigos, seus colaboradores e as inúmeras pessoas tocadas por sua vida e sua música. A música de Duncan está no coração de 'Memoirs of amorous gentlemen', e sua extraordinária arte, generosidade e seu espírito deixaam uma marca indelével em todos nós que tivemos o privilégio de conhecê-lo e trabalhar com ele.”
Entre outros trabalhos de Sheik no teatro estão "Alice by heart", nova parceria com Steven Sater inspirada em "Alice no País das Maravilhas", e o musical "American psycho". Este último estreou em Londres em 2013 e chegou à Broadway três anos mais tarde.
O compositor também falava publicamente sobre aspectos pessoais de sua trajetória. Em 2012, ao cancelar uma turnê que acompanharia o lançamento do álbum "Covers 80s", contou aos fãs que havia se internado numa clínica de reabilitação por causa de problemas com o álcool.
“Com todo o humor mórbido que consegui reunir”, escreveu, “disse à equipe de lá: ‘Meu disco está saindo e eu estou entrando’.”
“Depois de deixar o tratamento com a aprovação dos meus excelentes conselheiros de recuperação, estou atualmente em Jacarta, na Indonésia, compondo músicas, desenvolvendo ideias para um livro e trabalhando em alguns projetos de teatro musical”, escreveu à época. “Estou entoando cânticos, tocando guitarra e escrevendo histórias. A vida está boa. Na verdade, exponencialmente melhor do que quando eu bebia como um peixe ridículo. Considero tudo isso uma coisa boa”, continuou. “Um novo desafio, um enigma interessante, um presente.”
Sheik deixa a mulher, Nora Ariffin; a filha, Ines Sheik; a mãe, Suzanne Sheik; o pai, Jack Sheik; e os meios-irmãos Peter e Kacie.
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