Curiosidades
De Aristóteles a Porchat, as referências culturais dos ministros em julgamento no STF
Magistrados se reuniram em plenário sobre abertura de processo de investigação de Alexandre de Moraes
A sessão no plenário do Supremo Tribunal Federal, na terça-feira, para julgar a abertura de investigação do ministro Alexandre Moraes por suposto envolvimento no caso Master, foi um festival de referências culturais, que variaram de filósofos gregos a humoristas.
O ministro Flávio Dino, que pediu vista do caso e tem até 60 dias para responder, foi quem mais citou referencias. Aristóteles, por exemplo, apareceu em sua fala direcionada ao presidente da corte, Edson Facchin. "A ironia serve para descontrair o ambiente. O senhor sabe disso, por Aristóteles", disse Dino, referindo-se à obra "Ética a Nicômaco", livro primordial do filósofo grego sobre caráter e costumes.
O humorista Fábio Porchat também foi mencionado pelo ministro maranhense, que perguntou ao presidente Facchin se ele tinha visto o "vídeo de Fábio Porchat". A alusão era a uma esquete nas redes sociais do artista, que brincava com a exaustão dos jornalistas em relação à crise do STF.
"É um vídeo muito bom, porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, Presidente... Mas é bom o senhor ver o vídeo: ele fala sobre jornalistas, mas se aplica a nós, juízes do Tribunal", disse Dino, que também fez frases sobre pensadores do Direito, especialmente Gustavo Henrique Badaró, autor do livro "Juiz Natural no Processo Penal".
A Carmen Lúcia, por sua vez, recorreu a Clarice Lispector assim que tomou a palavra. "Eu dizia que eu bebi da lição de Clarice Lispector: eu não me perdi, mas experimentei a perdição", declarou a ministra mineira.
Santa Luzia foi outra referência, citada tanto por Carmén Lúcia quanto por Flávio Dino. O ministro relembrou uma lição da colega em relação à santa católica. "Vossa Excelência me ensinou que Santa Luzia era padroeira dos olhos. Algo assim", comentou Dino.
A MPB também teve sua vez, novamente com Dino, que citou o músico paraibano Chico César e sua canção "Deus me proteja", cujos versos "Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa" se enquadram perfeitamente no que ele falou.
"As pessoas bem-intencionadas também erram. Há uma música famosa de Chico César sobre isso. O que nos protege, a Vossa Excelência, a mim e a todos nós, imperfeitos que somos, do erro é o colegiado e a lei".
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