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Quero que o Supernova seja um lugar de acolhimento dos artistas, diz Roberto Verta

Em seu quarto ano no Rock in Rio, espaço tem atrações variadas, como João Gordo & Asteróides Trio, Supercombo, Larissa Luz, Zeca Veloso e NandaTsunami

Agência O Globo - 11/09/2026
Quero que o Supernova seja um lugar de acolhimento dos artistas, diz Roberto Verta
Roberto Verta - Foto: Reprodução / Facebook

Quando Roberto Verta pisou pela primeira vez na Cidade do Rock, em 1985, não poderia imaginar que, quatro décadas depois, faria parte daquele evento, marcado por memórias como o show do B-52's, chuva e muita lama. À época, trabalhando na antiga gravadora RCA (atualmente parte da Sony Music), o santista tinha também experiência como DJ de conhecidas casas da cidade, como o Clube XV e a Heavy Metal. Mais tarde, integrou a banda Harry, pioneira do electrorock no Brasil.

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A experiência sobre o palco e no backstage o colocou na rota da produção dos grandes shows internacionais no Brasil, como Nirvana (1993); "Sticky & Sweet Tour" (2008) e "MDNA" (2012), de Madonna; "360° Tour" (2011), do U2; e "The Wall Live" (2012), de Roger Waters. Após o desenvolvimento da plataforma de entretenimento e música ao vivo Filtr Live, da Sony Music, em 2017, Verta assumiu a curadoria de um novo palco no Rock in Rio, voltado a artistas emergentes e apresentações especiais, estreando no festival em 2019.

Em seu quarto ano, o Supernova segue com uma programação que privilegia independentes e projetos especiais, com atrações como João Gordo & Asteróides Trio, o pop alternativo do Supercombo, o hardcore do Lari e Zeca Veloso com temas do show “Boas novas”. No segundo fim de semana do evento, sobem ao palco nomes como NandaTsunami (11/9), Yago Oproprio, Milo J e Delacruz (12/9), e Bruna Black, Sant e Lourena (13/9).

— A Sony já tinha uma relação bem próxima do festival, e em 2019 surgiu essa ideia de um novo palco, com a condição que não fosse exclusivo da gravadora. E tem tudo a ver com a curadoria que era feita na Filtr — comenta Verta. — Acaba sendo uma curadoria a quatro mãos com o Zé Ricardo (vice-presidente artístico da Rock World e responsável pela seleção dos palcos Sunset, Espaço Favela e Global Village), que tem a visão do festival como um todo. Os palcos precisam conversar uns com os outros. É uma relação que passa de uma edição para outra, como no caso do Black Pantera, que se apresentou no Supernova em 2024 e esse ano voltou no Sunset.

A partir de uma vaga de auxiliar de escritório anunciada em um jornal, o publicitário de formação construiu uma carreira de mais de 40 anos no mercado fonográfico, também passando por BMG e Universal, mantendo uma atuação em paralelo nos palcos com a Harry.

— Estava com 19 anos, queria ter uma certa independência e precisava pagar as contas. Na entrevista, me perguntaram se eu falava inglês e disse que sim. Aí o entrevistador falou: "Você toca também, né? Acho que eu tenho uma coisa melhor para você". Aí fui para o departamento internacional da antiga RCA — lembra Verta, que ganhou espaço na área de A&R (Artistas & Repertório). — Ainda estava naquela fase de tocar e trabalhar, trabalhar e tocar, não necessariamente nessa ordem. Quando já estava lá dentro, pensei que seria mais garantido desenvolver uma carreira ali do que como músico. Acabei tendo uma trajetória muito feliz dentro dessa indústria.

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O "lado músico" seguiu na ativa com a Harry, na qual o então DJ da Heavy Metal foi convidado para entrar pelo vocalista e guitarrista Johnny Hansen (1961 — 2017):

— Digo que nunca entrei e nunca saí da Harry. O Johnny me conheceu como DJ em Santos, a gente conversava muito sobre música, gostávamos de coisas parecidas. Eu tinha um sintetizador pequenininho chamado Poly-800, o único que dava para comprar na época, tudo era caro, vinha de fora. Ajudei eles a produzir o primeiro EP. Quando a Denise (Tesluki, vocalista) saiu, me chamaram para entrar na banda.

Para Verta, as experiências como artista, executivo de gravadora e produtor de shows se mesclam na curadoria do Supernova:

— Tento me imaginar como um músico, quero que o Supernova seja um lugar de acolhimento dos artistas. De ter uma estrutura de som, de iluminação, de palco, da projeção que o Rock in Rio oferece. Mas também penso no festival, na gravadora, na Filtr, para atender o interesse de todos. E que o Supernova agrade tanto os músicos quanto o público.