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Zélia Duncan explica pela primeira vez detalhes do rompimento com Rita Lee: 'Tristeza que vou levar pra sempre'

Amigas e parceiras na composição 'Pagu', a dupla parou de se falar e não voltou às boas antes da morte de Rita Lee.

Agência O Globo - 29/08/2026
Zélia Duncan explica pela primeira vez detalhes do rompimento com Rita Lee: 'Tristeza que vou levar pra sempre'
Zélia Duncan - Foto: Reprodução

Zélia Duncan revelou que o rompimento com Rita Lee é uma das tristezas de sua vida. As duas, que eram amigas e compuseram em parceria a música "Pagu", não voltaram a se falar antes da morte de Rita. Amigas por anos, elas romperam quando Zélia recebeu o convite e aceitou fazer uma turnê com Os Mutantes, grupo que Rita fundou ao lado de Sérgio Dias e Arnaldo Baptista. Em entrevista ao GLOBO, Zélia explicou pela primeira vez detalhes do que aconteceu.

Queria falar de Rita Lee. Eram amigas e compuseram "Pagu" em parceria. Mas quando você foi fazer a turnê com os Mutantes, ela parou de falar com você. Tiveram tempo de voltar às boas antes de ela morrer?

Infelizmente, não. É uma tristeza que vou levar pra sempre. Só tive amor por Rita e aquele momento foi duro. Liguei para ela perguntando e ela me disse: "Vai se divertir com os mano". E depois, sumiu. Tentei, claro, mas ela preferiu ficar na dela. Foi ela quem falou, numa entrevista, quem deveria cantar com os Mutantes. Os empresários me ligaram e eu disse que tinha que ser ela.

Mas Rita está dentro de mim, na minha vontade de cantar, de viver, de gostar de ser mulher. Só deu coisa boa pra gente. Do alto dos meus quase 62 anos, tento olhar as cadeiras cheias. Tive Rita para chamar de amiga por muito tempo, fiz uma música importante com ela, cantei com ela, gravei em DVD dela, não posso achar ruim. Tenho uma tristezinha com esse assunto porque não acho justo com a nossa história, que é tão bonita. Vê o jeito que ela me chama no DVD da MTV... Ela diz que sou uma espécie de INPS, uma pessoa para chamar quando se está mal. A gente tinha esse approach, então, é duro perder.

A experiência nos Mutantes foi incrível e caótica.

Sim. Tenho orgulho, vivi coisas que nunca imaginei. Mas há certa maldição, entendi o rock and roll. Tive o privilégio de estar com os dois (Arnaldo Baptista e Sérgio Dias) e sair numa foto no New York Times. Uma onda. Quando fui ensaiar pela primeira vez, saí pulando, pude ver a Rita adolescente criando aquela genialidade com aqueles caras. Foi sensacional para mim como artista. Mas pessoalmente... Se soubesse que isso ia me custar a Rita, talvez não tivesse ido. Mas ela não me disse, não me deu um sinal. Perguntei: "Como é pra você? Tudo bem? Você que é minha amiga". Não conseguiu dizer. Se tivesse me dito, teria mudado toda uma história. Dou muito valor aos meus amigos.