Curiosidades
Me jogou na cama e disse 'vou te mostrar o que é um homem': Zélia Duncan revela assédio
Cantora conta que homens não respeitavam sua orientação sexual e revela investidas de músicos.
Zélia Duncan sempre precisou se defender dos homens. Lésbica desde sempre, a cantora de 61 anos revelou que muitos não aceitavam sua orientação sexual e que enfrentou uma série de investidas masculinas, além de vários assédios sexuais ao longo de sua carreira. A artista comentou ao GLOBO algumas histórias. Leia um trecho:
"Já comentei sobre o incômodo que era ser questionada publicamente sobre minha orientação sexual no início da carreira. O que mudou internamente para que essa exposição se transformasse em potência e orgulho? Hoje, a visibilidade se tornou um pilar fundamental para mim. Como enxergo a evolução desse debate nas artes?"
"Pessoalmente, foi esse caminho de ter que me defender o tempo todo. Fui cantar na noite muito nova, os homens chegavam junto, mandavam drinques, faziam cantadas estranhas. E eu só queria cantar. Enfrentei assédio, pois esperavam eu sair, e eu tinha que estar com um amigo ao meu lado. Um colega, com quem trabalhei, chegou ao meu quarto, me empurrou na cama e disse: 'Vou te mostrar o que é um homem'. Eu respondi: 'Você acha que eu não sei o que é um homem?'."
"Como se a minha orientação sexual fosse por falta de homem... Como sempre, aquele papo de 'mal comida'. Coisa frágil, tola. Minha geração foi reprimida, e eu me obriguei a ficar perto dos homens. É uma coisa louca: você é uma menina hétero e ninguém nunca disse de bobeira 'deveria experimentar ficar com uma mulher', não é? A gente ouve isso o tempo todo: 'Ah, devia pelo menos tentar ficar com um homem'."
"Olhando para certa falência e toda a violência masculina, dá alívio ser sapatão ou é horrível eu colocar as coisas nesses termos? A gente brinca com isso. Claro que dá alívio. Vejo amigas presas em relacionamentos. A importância de ter um homem ao lado estraga muito a relação hétero e a liberdade da mulher. Há mulheres incríveis que têm suas profissões, são líderes e se submetem a estar com homens com quem não podem mostrar a potência delas porque isso é ruim para o casamento. Aí, claro que a gente brinca: 'Não passaremos por isso'. Não preciso provar quem eu sou para homem nenhum nesse aspecto."
"Presenciei comportamentos muito tóxicos de homens músicos em turnês, por hotéis mundo afora..."
"Muito! Fiz backing vocal para os cantores Bebeto e Zé Augusto. Com 18 anos, vi coisas bem radicais. Músicos da banda pegando mulheres aqui e ali. Um deles me olhava com uma cara altamente libidinosa. Um dia, ele me disse: 'E se eu trouxer uma amiga minha aqui e ela quiser te beijar?'... Como assim? Aquele ambiente era perigoso para mim, uma ameaça. Todos eles tentaram, de alguma maneira, me pegar. Aí, o baterista, Edmilson, ficou meu amigo e começou a me proteger. Esperava o ônibus comigo no ponto."
"Um aliado, enfim..."
"Sabe, eu era louca para gravar um disco e conheci um produtor que me mandou ir ao estúdio num domingo para fazer um teste. Eu morava em Niterói, peguei meu fusquinha, cheguei lá e era só eu e ele. Imagina se ele fosse mais violento? Aquela porta de estúdio era pesada... Consegui me livrar. O cara sabe que você tem um sonho, né? E se aproveita... No meio artístico, a gente ouve falar disso o tempo todo. Eu tinha 19 anos, e outro produtor famoso me levou à casa dele, onde estavam a mulher e a filha. Jantamos, e aí você baixa a guarda total... Quando ele foi me levar em casa, pulou em cima de mim no carro..."
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