Curiosidades
'Six-seven': batalhas de 'aura' saem das redes sociais e viram competição nas ruas; entenda a brincadeira viral
Competições iniciadas como brincadeira on-line reúnem adolescentes e jovens em países como México, Brasil e Argentina, com prêmio em dinheiro e referências a memes
Dois garotos pulam, fazem gestos, encaram-se fixamente e trocam uma última careta antes de o público decidir quem venceu. É assim que terminam algumas das chamadas batalhas de “farmar aura”, uma competição que nasceu como brincadeira nas redes sociais e passou a ocupar espaços públicos frequentados por jovens.
As disputas já foram realizadas no México, Argentina, Brasil, Peru e Bolívia. Em uma cidade de Honduras, o prefeito chegou a proibi-las. A maioria dos participantes tem entre 14 e 20 anos.
“Farmar” vem de estratégias usadas em videogames para acumular pontos. Já “aura” é associada a estilo, atitude ou presença. Nas redes sociais, são comuns comentários como “+10.000 de aura”, “+100 aura” ou aura 100%.
Nas batalhas presenciais, o conceito vira uma disputa de comportamento. O vencedor é escolhido por critérios como confiança, capacidade de provocar risadas e habilidade para fazer referências a memes e vídeos populares.
— Quem parecer melhor, quem demonstrar isso, quem provocar mais risadas, quem tiver mais confiança é quem ganha — explica Aldhir González, de 22 anos, que organizou uma das primeiras batalhas em frente ao Palácio de Bellas Artes, na Cidade do México.
Memes viram movimentos no palco
Para competir, os participantes precisam conhecer os memes que circulam na internet e transformar referências digitais em gestos e performances.
Carlos Quintana, de 14 anos, chegou à final de uma das disputas no México. Durante o duelo, fez o gesto “Siuuuu”, associado ao jogador Cristiano Ronaldo, e depois apresentou um “mewing”, meme ligado à ideia de superioridade e à expressão de uma mandíbula marcada.
O adversário respondeu com movimentos das mãos associados ao termo “six-seven”, popularizado no TikTok e usado pelos jovens em brincadeiras.
Joan Deivid, de 19 anos, também participou da competição. Vestido de sapo, bateu no adversário com um tamanco de borracha gigante.
— Isso é aura — afirmou, sorrindo.
Enquanto os participantes competiam, outras pessoas acompanhavam a disputa com celulares nas mãos. Uma música com clima de videogame tocava em um alto-falante.
Batalhas aproximam jovens fora das telas
As competições também ocorrem em meio a um debate sobre o uso de celulares e redes sociais entre adolescentes. A psicóloga venezuelana, María Eugenia Tovar, afirma que, embora as interações digitais tenham origem nas redes, elas podem estimular encontros presenciais.
— A importância que tem a comunicação por meio das redes sociais e por meio dos memes — disse Tovar.
— Toda essa comunicação digital é real para os adolescentes e genuinamente tem um impacto sobre eles, a ponto de também poder estimular encontros presenciais — explicou a psicóloga.
Em Buenos Aires, uma nova batalha foi marcada para um bairro da cidade. Na Argentina, os torneios de “farmeo” também viraram matéria-prima para memes. O Boca Juniors, por exemplo, publicou no X uma imagem do meio-campista Santiago Ascacíbar comemorando um gol e brincou sobre como seria difícil competir contra ele em termos de aura.
— A aura é um estilo de vida que quase ninguém entende — diz o organizador de um torneio em Buenos Aires, que se identifica como “Gonzalo bien de vago”.
Prêmio em dinheiro e ‘aura infinita’
Na Cidade do México, o público e um júri definem quem “farmou mais aura”. O vencedor leva 3 mil pesos, cerca de US$ 177. Na Argentina, o prêmio é “aura infinita”.
Em uma das disputas realizadas em frente ao Bellas Artes, Kaled Rosales ficou com a vitória. Ele contou que estudou os movimentos para saber como contra-atacar.
Um dos jurados afirmou que Rosales já tinha “aura” desde o momento em que apareceu usando bermuda e tamancos vermelhos do personagem Relâmpago McQueen, da Disney.
— Planejo ir a mais batalhas e publicá-las nas redes sociais — afirmou Rosales: — Mais do que por um prêmio, faço isso para me divertir e me distrair de casa.
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